
Stone Town · Jozani · Paje · Jambiani · Matemwe · Nungwi · Kendwa · 13 min de leitura
7 dias · 3 cidades
Duração
7 dias
Orçamento estimado
800 a 1.300 dólares por pessoa, sem voo
Melhor época
Junho a outubro e dezembro a fevereiro
Visto
Visto de 50 dólares, online ou na chegada
Este roteiro de 7 dias por Zanzibar usa três bases: Stone Town, Paje, no leste, e Nungwi, no norte. Mudar de base duas vezes é a decisão que organiza a semana, porque a maré manda em qual praia dá banho e a que horas.
Em resumo: dois dias de cidade, as especiarias e Jozani a caminho do leste, Jambiani e The Rock, Mnemba e o norte. Visto, seguro, época e comida estão no fim.

Entrada livre no pátio, 1 hora, a 15 minutos de carro do aeroporto. Comece por aqui depois do check-in: as ruas de Stone Town não têm placa e o forte é a referência de onde tudo sai.
Os omanis ergueram as muralhas de coral entre 1698 e 1701, logo depois de expulsar os portugueses, que tinham dominado a ilha por dois séculos. Hoje o pátio tem anfiteatro, bancas de artesanato e cafés, e é o lugar onde acontecem os festivais da cidade.

Parada rápida, 20 minutos, a 100 metros do forte. O prédio está fechado e coberto de andaimes desde que parte da fachada e da torre desabou, em dezembro de 2020, e o restauro segue com apoio do Aga Khan Trust for Culture.
Vale parar para entender a escala: quando o sultão Barghash o levantou, em 1883, foi o primeiro prédio da África Oriental com luz elétrica e elevador, e o maior da costa suaíli.

Grátis para entrar, 1h30, colado ao forte. As bancas montam por volta das 18h, quando o sol cai, e ficam até as 21h ou 22h. É o jantar mais barato e mais animado da cidade.
Peça a pizza zanzibarina, que não é pizza: é uma massa fina recheada de carne moída, ovo e queijo, dobrada e frita na chapa. Regra que economiza dor de barriga: coma o que sai quente na hora, na banca com fila de gente local, e desconfie das bandejas de frutos do mar expostas há horas.

Cerca de 1h15, com guia incluído no ingresso, aberta de manhã cedo. A catedral anglicana foi construída a partir de 1873 exatamente sobre o maior mercado de escravos da África Oriental, fechado naquele ano por pressão britânica sobre o sultão Barghash.
O altar está onde ficava o poste de açoite, usado para testar a resistência das pessoas à venda. No porão de um prédio ao lado sobraram duas celas onde dezenas ficavam à espera do leilão, com teto tão baixo que não dá para ficar de pé. É a visita mais dura e mais necessária da ilha.

Parada rápida, 30 minutos, a 200 metros da catedral. Aberto em 1904, é onde a cidade faz compras: montanhas de manga e shoki shoki, sacos de cravo e canela, e o galpão do peixe nos fundos, que cheira exatamente como você está imaginando.
Vá de manhã, quando o peixe acabou de chegar, e combine o preço antes de aceitar qualquer coisa na mão.

Cerca de 4 horas com o barco, que sai da praia em frente ao Forodhani; entrada da ilha em torno de 4 dólares, mais o barco compartilhado. Saia depois do almoço e volte a tempo do pôr do sol.
O prédio de 1893 foi construído para ser prisão, mas nunca recebeu presos: virou estação de quarentena para navios com febre amarela. A atração real são as tartarugas-gigantes de Aldabra, um presente do governador britânico das Seychelles em 1919, algumas com mais de um século de idade e placa com o ano de nascimento no casco.
Os barcos costumam parar no banco de areia de Nakupenda no caminho, que some inteiro na maré cheia. Confirme com o barqueiro se a parada está incluída antes de pagar.

Cerca de 2 horas com guia, 15 a 20 dólares por pessoa, a 25 minutos ao norte de Stone Town. Saia às 9h com a mala no carro: o dia termina na costa leste.
O guia arranca a casca do tronco e manda cheirar: canela, noz-moscada, cardamomo, pimenta, baunilha, urucum. Zanzibar chegou a ser o maior produtor mundial de cravo, plantado em regime de escravidão a partir dos anos 1820, e a monocultura moldou a economia da ilha até o turismo chegar. No fim vendem especiarias embaladas, que são boas e baratas, mas não compre sabão nem óleo a preço de aeroporto.

Entrada em torno de 10 a 12 dólares com guia obrigatório, 1h30, a 30 minutos de Kizimbani e a 20 minutos de Paje. É o único parque nacional de Unguja, a ilha principal.
O colobo-vermelho de Zanzibar não existe em nenhum outro lugar do mundo, e restam poucos milhares. Eles ficam a poucos metros da trilha, em grupos, e o guia pede distância de três metros, tanto para proteger você quanto para não transmitir doença humana a eles. A segunda parte da visita é uma passarela de madeira sobre o manguezal, do outro lado da estrada.

Grátis, 2 horas, a 15 minutos ao sul de Paje. Vá na maré baixa, que é quando as mulheres da vila entram na lagoa para tratar as estacas onde crescem as algas vermelhas, vendidas para a indústria de cosméticos e de alimentos.
O cultivo de algas é hoje uma das principais fontes de renda das mulheres na costa leste, e o centro comunitário de Paje transforma parte da colheita em sabonete. A caminhada pela vila, entre casas de coral e barcos, mostra a Zanzibar que existe fora dos resorts. A 10 minutos dali fica a gruta de Kuza, uma caverna de calcário com água doce turquesa e um centro cultural suaíli, que cobra poucos dólares e quase nunca aparece nos roteiros.

Almoço em torno de 30 a 50 dólares por pessoa, 1h30, a 30 minutos ao norte de Paje, em Michamvi Pingwe. Reserve com dias de antecedência e pergunte a hora da maré ao reservar: na maré baixa você chega a pé pela areia, na maré cheia um barquinho faz a travessia de 20 metros.
A casa tem uma dúzia de mesas sobre um rochedo de coral e serve basicamente peixe e frutos do mar. Você paga pelo lugar, não pela cozinha, e ainda assim vale por uma refeição. Quem achar caro almoça na praia de Bwejuu e vem só ver o rochedo do lado de fora.

Grátis, o resto da tarde. Paje é a capital do kitesurf da ilha: o recife segura as ondas, o vento entra constante de junho a setembro e de dezembro a março, e as escolas cobram em torno de 70 a 90 dólares a aula particular.
Quem não vai velejar precisa entender a maré antes de reclamar do mar: na baixa a água recua centenas de metros e a praia vira uma planície de areia com poças e estrelas-do-mar; na cheia volta a piscina turquesa. As duas horas antes e depois da maré alta são as de banho.

Grátis, 1 hora, a 1 hora de carro de Paje e a 40 minutos de Nungwi. É a parada natural do dia de deslocamento, e a praia de onde saem os barcos para Mnemba.
Matemwe é uma vila de pescadores comprida, com hotéis espalhados e nada de vida noturna. A maré aqui também recua bastante, mas a vista do atol de Mnemba no horizonte é a melhor da ilha.

Grátis, 1 hora, na ponta norte da ilha. Os dhows, barcos de vela árabes que navegam esta costa há séculos, continuam sendo construídos aqui na areia, sem planta e sem prego industrial, com madeira de mango e ferramentas simples.
Pergunte antes de fotografar quem está trabalhando; uma gorjeta pequena é bem-vinda. Ao lado ficam o mercado de peixe do fim da tarde e os barcos que saem para o pôr do sol.

Grátis, fim de tarde. A ponta norte é a única parte da ilha onde a diferença de maré quase não muda a linha da água: dá para nadar em qualquer hora do dia, o que explica a concentração de hotéis.
O outro motivo é o pôr do sol, que aqui cai no mar. Fique na areia entre 18h e 18h30, quando os dhows saem com a vela aberta em frente ao sol e a foto se faz sozinha.

Cerca de 4 horas, 35 a 60 dólares por pessoa no barco compartilhado, mais a taxa da área marinha protegida. Saída às 8h30 de Nungwi ou de Matemwe, porque o mar amanhece mais liso e os barcos de meio-dia pegam vento.
A ilha do atol é privada, de um hotel de luxo, e ninguém desembarca: o passeio é o recife em volta, com peixes-borboleta, tartarugas verdes e, com sorte, golfinhos no caminho. Leve protetor solar sem oxibenzona e recuse operadores que oferecem nadar perseguindo golfinhos, prática que a Tanzânia desencoraja e que estressa os animais.
Grátis, a tarde inteira, a 10 minutos de carro de Nungwi ou 40 minutos a pé pela praia na maré baixa. Kendwa é mais larga, mais funda e mais calma que Nungwi, e o mar entra sem pedras.
É também onde acontece a festa de lua cheia da ilha, uma vez por mês, que enche a praia de gente. Se a sua ideia é sossego, confira a data antes de reservar; se é o contrário, marque por ela.

Cerca de 1 hora com a caverna vizinha, entrada de poucos dólares, a 45 minutos ao sul de Nungwi, na estrada do aeroporto. Saia de Nungwi às 9h com as malas.
A cela foi cavada no coral e coberta, e serviu para esconder pessoas escravizadas depois que o tráfico foi proibido, em 1873: os navios continuavam chegando à noite, longe do porto fiscalizado de Stone Town. Descer os degraus e ver o tamanho do buraco explica melhor do que qualquer texto. A poucos minutos dali fica a caverna natural de Mangapwani, com água doce, usada pela comunidade até hoje.

Entrada de poucos dólares, 45 minutos, a 4 km ao norte de Stone Town, praticamente no caminho do aeroporto. O sultão Barghash mandou construir o palácio em 1882 para a sua corte, com aqueduto próprio e banhos de estilo persa.
Um incêndio destruiu tudo em 1899 e sobraram as colunas de pedra, o reservatório e parte dos banhos, tomados por vegetação. É uma parada curta, e a última do roteiro: do portão ao aeroporto são 20 minutos.
Precisa, porque Zanzibar é parte da Tanzânia. O visto de turista custa 50 dólares e pode ser tirado online, no site oficial de imigração, ou na chegada, no aeroporto de Zanzibar. O e-visa evita fila e leva alguns dias úteis para sair, então peça com pelo menos duas semanas de antecedência. O passaporte precisa valer seis meses.
Duas exigências pegam muita gente. A primeira é o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela, obrigatório para quem chega do Brasil, com a dose tomada pelo menos dez dias antes. A segunda é o seguro de viagem obrigatório de Zanzibar: desde outubro de 2024 todo visitante precisa comprar a apólice da Zanzibar Insurance Corporation, 44 dólares por adulto, com cobertura de 90 dias, no portal do governo, antes de embarcar. O seu seguro de viagem comum não substitui, e o comprovante é pedido no desembarque.
De junho a outubro, a estação seca, com dias de sol, 28 graus e noites frescas, e de dezembro a fevereiro, mais quente e úmida mas com o mar mais transparente, que é quando o snorkel em Mnemba rende mais. Dezembro e janeiro são também a alta estação de brasileiro, com preços de hotel dobrados.
Evite de meados de março a maio, a temporada das chuvas longas, quando chove forte todo dia e parte dos hotéis e restaurantes fecha. Novembro tem chuvas curtas, que atrapalham pouco, e preços bem menores.
Não há voo direto do Brasil. As conexões usuais são por Doha, Dubai, Adis Abeba ou Istambul, com 20 a 24 horas de porta a porta. Desde junho de 2026 a Airlink liga Joanesburgo a Zanzibar, o que abre uma rota nova para quem já voa São Paulo a Joanesburgo, e a mesma companhia começa a voar da Cidade do Cabo em outubro de 2026. Outra opção é voar até Dar es Salaam e cruzar de ferry, 2 horas de catamarã, bem mais barato que o voo interno de 20 minutos.
Na ilha não há transporte público útil para turista: os dala-dalas, caminhonetes convertidas, são lentos e cheios. O normal é contratar transfers privados, que custam em torno de 15 dólares do aeroporto a Stone Town, 50 de Stone Town a Paje e 60 a 70 de Paje a Nungwi. Alugar carro exige uma licença local, vendida na hora pela locadora, e dirige-se à esquerda.
A cozinha zanzibarina mistura a costa suaíli, a Índia e a Península Arábica, e coco e especiarias entram em quase tudo. Os pratos para provar são o pweza wa nazi, polvo cozido no leite de coco; o urojo, sopa amarela de batata, farinha de grão-de-bico e manga verde que os locais chamam de Zanzibar mix; o pilau e o biryani, herança indiana; e o mishkaki, espetinho de carne marinada grelhado na rua.

O jantar obrigatório é nos Jardins de Forodhani, em Stone Town: as bancas montam ao pôr do sol e servem espetinhos, pizza zanzibarina e caldo de cana com limão e gengibre por poucos dólares. Escolha a banca com fila de gente da ilha e peça o que for feito na hora, à sua frente.

De dia, as casas de comida suaíli da rua Mkunazini, em Stone Town, servem o prato do dia por poucos dólares, com fila na hora do almoço. Nas padarias de rua saem o mkate wa kumimina, pão de arroz fermentado, e os chapatis que acompanham quase tudo.
Para uma noite especial, os terraços dos casarões restaurados de Stone Town servem jantar de menu fixo com música taarab ao vivo e vista dos telhados, com reserva obrigatória e preço bem acima da média da ilha.

O que evitar: bandejas de frutos do mar já grelhados e expostas nas bancas turísticas do Forodhani, que ficam horas fora do fogo, e a água da torneira, inclusive no gelo de barraca de praia. Zanzibar é de maioria muçulmana: álcool só nos hotéis e restaurantes turísticos, e no Ramadã muitas cozinhas locais fecham durante o dia.
Para Unguja, a ilha principal, sim: sete dias dão dois dias de Stone Town, dois de costa leste e dois de norte, com um dia de deslocamento no meio, sem correria. O que fica de fora é Pemba, a ilha vizinha, que tem o melhor mergulho do arquipélago e quase nenhum turista, e o sudoeste, com o Safari Blue na baía de Menai.
A combinação mais comum é somar safári antes ou depois: o Serengeti fica a um voo de 2 horas, e a mesma ideia de ilha mais savana aparece no nosso roteiro pelo Quênia. Quem se interessar pela metade árabe dessa história encontra a outra ponta dela no roteiro por Omã, cujo sultanato governou Zanzibar e chegou a mudar a capital para cá. Para ajustar datas e hotéis, salve este roteiro no Galmund.
Preços conferidos em 21 de setembro de 2026. Confira o valor atual em Imigração da Tanzânia, visto eletrônico · Zanzibar Insurance Corporation, seguro obrigatório de entrada.
Precisa. Zanzibar faz parte da Tanzânia e o visto de turista custa 50 dólares, tirado online no site oficial de imigração ou na chegada ao aeroporto. Também são obrigatórios o certificado de febre amarela, para quem vem do Brasil, e o seguro de viagem de Zanzibar, 44 dólares por adulto, comprado no portal do governo antes de embarcar.
Entre 800 e 1.300 dólares por pessoa, sem a passagem, contando hotel de categoria média em quarto duplo, comida, transfers, passeios de barco e ingressos. Some os 50 dólares do visto e os 44 do seguro obrigatório. Os maiores gastos variáveis são o snorkel em Mnemba, de 35 a 60 dólares, e os transfers entre as três bases, que somam cerca de 130 dólares por carro. A passagem do Brasil fica entre 5.500 e 8.500 reais ida e volta.
É. Desde 1 de outubro de 2024 todo visitante estrangeiro precisa comprar a apólice da Zanzibar Insurance Corporation, no portal do governo, por 44 dólares por adulto, válida por 90 dias. Crianças de 3 a 17 anos pagam metade e menores de 2 anos são isentos. O comprovante é pedido no controle de imigração, e o seu seguro de viagem comum não substitui essa apólice.
Na costa leste, sim. Em Paje, Jambiani e Bwejuu a água recua centenas de metros na maré baixa e volta na cheia, então o banho acontece nas duas horas antes e depois da maré alta; no resto do tempo a praia é uma planície de areia boa para caminhar. No norte, em Nungwi e Kendwa, a variação é pequena e dá para nadar o dia inteiro, que é o motivo de o roteiro terminar lá.
Vale ficar nos dois. Stone Town concentra tudo o que é história da ilha, do mercado de escravos à arquitetura suaíli e omani, e duas noites bastam para ver com calma e jantar no Forodhani. Mas a cidade não tem praia de banho, então o resto da semana pede pelo menos uma base de praia, e o roteiro usa duas, uma em cada costa, porque a maré e o vento funcionam de maneira diferente nelas.


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