A cidade de Quebec vista de Lévis, do outro lado do rio São Lourenço, em cores de outono

Montréal · Trois-Rivières · Cidade de Québec · Île d Orléans · Charlevoix · Baie-Saint-Paul · 13 min de leitura

Roteiro Québec 7 dias: Montréal, cidade de Québec e Charlevoix

7 dias · 4 cidades

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Este roteiro de 7 dias pelo Québec tem só duas bases, Montréal e a cidade de Québec, e o carro entra em cena apenas no terceiro dia. A decisão que organiza a semana é essa: Montréal se faz de metrô, e o carro ali é estacionamento caro.

Em resumo: dois dias na metrópole, a estrada até Québec por Trois-Rivières, dois dias na cidade murada, a Côte-de-Beaupré e Charlevoix como bate-volta. eTA, época e comida estão no fim.

Dia 1: chegada a Montréal e o Vieux-Montréal a pé

Basílica Notre-Dame: a abóbada azul do Vieux-Montréal

A nave da Basílica Notre-Dame de Montreal, com a abóbada azul estrelada e o retábulo dourado
Foto: Diliff / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Cerca de 1h15, 16 dólares canadenses na visita livre, aberta de segunda a sábado das 9h às 16h e no domingo a partir das 12h30. Do aeroporto ao centro são 25 minutos pelo ônibus 747, e a basílica fica a dez minutos a pé da maioria dos hotéis do Vieux-Montréal.

Por dentro ela não parece uma igreja neogótica qualquer: a abóbada é azul-escura, salpicada de estrelas douradas, e o retábulo é esculpido em madeira de nogueira e folheado a ouro. Os vitrais fogem do padrão e contam a história de Montréal em vez de cenas bíblicas, uma exigência do padre que os encomendou em 1929.

À noite, a mesma nave recebe o espetáculo de luz AURA, da Moment Factory, por 37 dólares. Vale se você gosta de projeção mapeada; se não, a visita de dia entrega o essencial. As missas são todas em francês.

Place Jacques-Cartier: a praça em declive até o rio

A Place Jacques-Cartier em declive, com terraços, guarda-sóis e gente sentada nos degraus
Foto: Jeangagnon / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Parada rápida, 30 minutos, de graça, a três quadras da basílica, descendo para leste. Foi mercado público em 1804 e hoje é uma rampa de pedra tomada por terraços, retratistas e músicos, com a coluna de Nelson no ponto mais alto.

No topo fica a Prefeitura, a sacada de onde De Gaulle gritou a frase de 1967 que ainda dá discussão no Québec. Desça pelo outro lado até o rio.

Vieux-Port: a orla do rio São Lourenço

O passeio do Vieux-Port de Montreal à beira do rio São Lourenço, com gente caminhando entre as árvores
Foto: Jeangagnon / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de uma hora, de graça, no fim da Place Jacques-Cartier. São 2,5 km de cais reconvertidos em passeio, com roda-gigante, praia urbana e os silos de grão antigos ao fundo.

A novidade recente é o Marché des Éclusiers, mercado público instalado na entrada do canal de Lachine, com bancas de comida e mesas de frente para a água: é o melhor lugar para o primeiro jantar, mais barato e mais animado que os restaurantes de terraço da praça. Depois do voo longo, é aqui que o dia acaba bem.

Dia 2: Montréal do Mont Royal ao Marché Jean-Talon

Belvédère Kondiaronk: a vista clássica de Montréal

O terraço do Belvédère Kondiaronk cheio de gente olhando os arranha-céus de Montreal
Foto: Deror avi / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de 1h15, de graça, e é o primeiro ponto do dia porque é o mais alto: daqui em diante o roteiro só desce e vai para o norte. Suba de ônibus 11 a partir do metrô Mont-Royal, ou a pé pela escadaria do chemin Olmsted, 30 minutos de subida.

O parque foi desenhado por Frederick Law Olmsted, o mesmo do Central Park, e o terraço leva o nome do chefe huron-wendat que negociou a Grande Paz de Montréal em 1701. Do parapeito se vê o centro, o rio São Lourenço e, em dia limpo, os Adirondacks nos Estados Unidos.

Avenue du Mont-Royal: o Plateau em uma rua

A Avenue du Mont-Royal, no Plateau, com lojas, cafés e as escadas externas típicas de Montreal
Foto: Jeangagnon / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Parada rápida, 45 minutos, de graça, descendo do parque pela avenue du Parc ou de metrô até Mont-Royal. É a artéria do Plateau, com lojas independentes, sebos, brocantes e terraços, fechada ao carro em trechos durante o verão.

O que chama atenção não são as lojas, são as casas: escadas de ferro que sobem por fora da fachada, uma solução do século 19 para caber mais apartamentos no lote e não pagar imposto sobre escada interna. Hoje é a assinatura visual do bairro.

Mile End: murais, becos verdes e as duas padarias de bagel

As escadas externas de ferro das casas do Mile End, em Montreal, com bicicletas presas na calçada
Foto: Andre Carrotflower / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de 1h30, de graça, 15 minutos a pé ao norte do Plateau. É o bairro dos estúdios de jogo, dos ateliês e dos becos verdes, as ruelas entre quarteirões que os moradores transformaram em jardim.

É aqui que ficam a St-Viateur e a Fairmount, as duas padarias que disputam o título de melhor bagel de Montréal desde os anos 1950. O bagel daqui é fervido em água com mel e assado em forno a lenha, mais fino e mais doce que o de Nova York, e sai do forno 24 horas por dia. Compre meia dúzia quente e coma na rua, que é como se faz.

Marché Jean-Talon: o maior mercado a céu aberto da América do Norte

Banca de frutas e legumes do Marché Jean-Talon, em Montreal, com um vendedor atrás do balcão
Foto: Eberhard von Nellenburg / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Cerca de 1h15, de graça, na Petite-Italie, 15 minutos a pé do Mile End ou uma parada de metrô. Funciona desde 1933 e é onde os produtores do Québec vendem direto.

Vá com fome e sem lista. No fim do verão e no outono as bancas ficam cobertas de abóbora, milho, cogumelo silvestre e as pequenas maçãs que viram cidra de gelo. Há queijarias com os queijos de leite cru que o Québec produz, cabanas de xarope de bordo e balcões para comer ali mesmo. É o melhor almoço barato de Montréal.

Dia 3: de Montréal à cidade de Québec por Trois-Rivières

Sanctuaire Notre-Dame-du-Cap: a parada do meio do caminho

A basílica octogonal do Sanctuaire Notre-Dame-du-Cap, em Trois-Rivieres, vista do jardim
Foto: jockrutherford / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Cerca de 45 minutos, de graça, a 1h20 de Montréal pela autoestrada 40. Pegue o carro alugado na manhã deste dia, e não antes: nos dois primeiros dias ele seria só despesa de estacionamento.

É o santuário mariano nacional do Canadá, à beira do rio São Lourenço. A basílica octogonal de 1964 parece uma nave pousada no gramado, e por dentro tem 125 vitrais de Jan Tillemans que acendem o concreto quando o sol bate. Ao lado, em pedra, sobrevive a capelinha de 1714, a igreja mais antiga do Canadá ainda em pé no lugar original.

Rue des Ursulines: a rua que o incêndio poupou

Casa de pedra do século 18 na Rue des Ursulines, em Trois-Rivieres, com telhado de duas águas
Foto: Cantons-de-l Est / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Parada rápida, 45 minutos, de graça, a dez minutos do santuário, no centro de Trois-Rivières. O incêndio de 1908 levou 800 prédios da cidade e parou nesta rua.

O que sobrou é um quarteirão inteiro do regime francês: casas de pedra com telhado de duas águas, o monastério das ursulinas de 1697 com sua cúpula, e o Manoir Boucher-de-Niverville, de cerca de 1730. Dá para percorrer em vinte minutos e almoçar no centro antes de seguir. Daqui a Québec são 1h20.

Château Frontenac e Terrasse Dufferin: a chegada a Québec

O Château Frontenac visto da Terrasse Dufferin, com os telhados de cobre verde e gente passeando
Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de uma hora, de graça se você só circular pela terraça, no fim da tarde. Deixe o carro no estacionamento do hotel e não pegue mais até o Dia 5: a cidade murada se faz inteira a pé.

O Frontenac é um hotel de 1893 construído pela ferrovia canadense, e dizem que é o hotel mais fotografado do mundo. Não precisa se hospedar nele para entrar: o saguão é aberto, e o bar do primeiro andar serve quem quiser.

A Terrasse Dufferin, o deque de madeira ao lado, corre 425 metros sobre o penhasco, com vista para o rio, para Lévis do outro lado e para os navios que sobem o São Lourenço. No inverno, a rampa de tobogã de madeira que desce a terraça funciona desde 1884.

Dia 4: a cidade murada de Québec, da cidade baixa à Citadelle

Quartier Petit-Champlain: comece por baixo, de manhã cedo

A rua de pedestres do Quartier Petit-Champlain, em Quebec, cheia de gente entre casas de pedra
Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de 1h15, de graça, descendo do Frontenac pelo funicular ou pela escadaria Casse-Cou. Comece cedo: depois das 11h a rua enche de passageiros dos cruzeiros que atracam no cais logo ali.

É a rua comercial mais antiga da América do Norte, com casas de pedra do século 17 encostadas no penhasco, lojas de artesãos e o mural Fresque des Québécois, de 420 metros quadrados, que finge ser uma fachada com sacadas e personagens da história da cidade.

Place-Royale: onde Québec começou em 1608

As casas de pedra da Place-Royale, em Quebec, em volta do busto de Luís 14
Foto: DXR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Parada rápida, 30 minutos, de graça, a uma quadra da Petit-Champlain. Foi aqui que Samuel de Champlain levantou a primeira habitação, e a praça é o berço literal da cidade.

A igreja Notre-Dame-des-Victoires, de 1688, é a mais antiga de pedra do Canadá, e tem dentro uma maquete de navio pendurada no teto, ex-voto de marinheiros. O busto de Luís 14 no meio da praça é uma cópia: o original virou disputa diplomática e foi devolvido à França.

Notre-Dame de Québec: a Porta Santa fora da Europa

O interior da basílica-catedral Notre-Dame de Quebec, com o baldaquino dourado sob a abóbada
Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de 45 minutos, entrada gratuita, subindo da Place-Royale para a cidade alta, dez minutos de caminhada em ladeira. É a primeira igreja paroquial ao norte do México, fundada em 1647, incendiada e reconstruída três vezes.

Duas coisas a procurar: o baldaquino dourado sobre o altar, coroado por um dossel que imita o de São Pedro em Roma, e a cripta, onde estão enterrados quatro governadores da Nova França e os bispos de Québec. A Porta Santa da fachada, aberta em 2013, é a única fora da Europa.

Citadelle de Québec: só com guia, e reserve o horário

A porta Dalhousie da Citadelle de Quebec, com as guaritas azuis e a muralha de pedra
Foto: The Cosmonaut / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)

Cerca de 1h30, 22 dólares canadenses, dez minutos a pé da catedral pela rue Saint-Louis. A visita é obrigatoriamente guiada, dura uma hora e inclui o museu do Royal 22e Régiment, porque a fortaleza continua sendo base militar ativa.

Os britânicos levaram trinta anos, de 1820 a 1850, para erguer a estrela de pedra no ponto mais alto do Cap Diamant, contra uma invasão americana que nunca veio. De 1º de setembro a maio o horário é das 10h às 17h30. A troca da guarda, com os uniformes vermelhos e os gorros de pele de urso, só acontece no verão.

Plaines d Abraham: a batalha de vinte minutos

O gramado aberto das Plaines d Abraham, em Quebec, com árvores e o rio São Lourenço ao fundo
Foto: Michel Rathwell / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Cerca de uma hora, de graça, logo ao lado da Citadelle. São 98 hectares de gramado sobre o penhasco, e é onde os moradores correm, andam de bicicleta e esquiam no inverno.

A batalha de 13 de setembro de 1759 durou cerca de vinte minutos e decidiu o destino da Nova França: os dois generais, Wolfe e Montcalm, morreram dos ferimentos. O parque é o melhor fim de tarde da cidade, com o sol descendo sobre o rio e a ponte de Québec ao longe.

Dia 5: a Côte-de-Beaupré e a Île d Orléans

Chute Montmorency: 30 metros mais alta que o Niágara

A Chute Montmorency caindo do penhasco, com a ponte suspensa sobre a crista e a escadaria lateral
Foto: The Cosmonaut / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)

Cerca de 1h30, acesso ao parque por volta de 6 dólares canadenses e teleférico por volta de 15 ida e volta, a 20 minutos de carro do centro de Québec pela autoestrada 440. Comece cedo, antes dos ônibus de excursão.

A queda tem 83 metros, 30 a mais que as cataratas do Niágara, e cai direto no rio São Lourenço. Suba de teleférico e desça pela escadaria de 487 degraus, que passa ao lado da parede de água; a ponte suspensa sobre a crista dá a foto de cima. No inverno o respingo congela num cone de gelo de vinte metros que os locais chamam de pão de açúcar.

Île d Orléans: a volta de 67 km pelas cidrerias

As fazendas e os bosques da Île d Orléans em cores de outono, à beira do rio São Lourenço
Foto: David Wilson / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Três horas com as paradas, de graça, atravessando a ponte logo depois da cachoeira. A ilha tem 34 km de comprimento e uma única estrada, a Chemin Royal, que dá a volta inteira em 67 km e cerca de uma hora sem parar.

São seis vilarejos, cada um com sua igreja de pedra do regime francês, e é daqui que sai boa parte da comida do Québec: morango, batata, maçã e o cassis. Pare em Sainte-Pétronille, o primeiro vilarejo, para a vista do Frontenac do outro lado da água, e em pelo menos uma cidreria para provar a cidra de gelo, feita com maçãs colhidas congeladas e concentradas pelo próprio frio, invenção quebequense dos anos 1990.

Em setembro e outubro as fazendas abrem para colheita de maçã e os bordos ficam vermelhos, que é o melhor momento do ano para fazer esta volta.

Basílica Sainte-Anne-de-Beaupré: as muletas na entrada

A abóbada de mosaicos dourados do coro da Basílica de Sainte-Anne-de-Beaupré
Foto: Pierre André / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de uma hora, entrada gratuita, a 30 minutos a leste da ponte da ilha pela estrada 138. É santuário de peregrinação desde 1658, quando marinheiros bretões naufragados atribuíram a salvação a santa Ana.

A basílica atual é de 1926 e o que impressiona é o teto: abóbadas inteiras cobertas de mosaico dourado, feitas por artistas franceses ao longo de décadas. Logo na entrada, duas colunas estão forradas de muletas e bengalas deixadas por peregrinos que dizem ter sido curados, imagem que resume o lugar melhor que qualquer placa.

Canyon Sainte-Anne: três pontes suspensas sobre a garganta

A queda do Canyon Sainte-Anne entre paredes de granito e bordos em cores de outono
Foto: LBM1948 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de 1h30, ingresso pago na entrada, a 15 minutos adiante pela mesma estrada 138. O rio Sainte-Anne-du-Nord cavou uma garganta de granito de 74 metros de profundidade e cai dentro dela.

O circuito atravessa a fenda por três pontes suspensas em alturas diferentes, e a de cima balança de verdade. Em setembro e outubro os bordos das duas encostas ficam alaranjados e é o melhor momento para vir. Quem quiser mais pode fazer a tirolesa Air Canyon, que cruza a garganta e é vendida à parte, com reserva recomendada porque as saídas são limitadas.

Dia 6: Charlevoix, de Baie-Saint-Paul à Isle-aux-Coudres

Baie-Saint-Paul: o vilarejo onde nasceu o Cirque du Soleil

As casas de madeira coloridas da Rue Saint-Jean-Baptiste, em Baie-Saint-Paul, com bandeirinhas
Foto: Jeangagnon / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de duas horas, de graça, a 1h20 a nordeste de Québec pela estrada 138. A descida para a baía, quando a estrada sai do planalto e a cidade aparece lá embaixo entre as montanhas, é o momento mais bonito do trajeto.

O vilarejo está no fundo de uma cratera de meteorito de 56 km de diâmetro, que caiu ali há 400 milhões de anos e deixou o solo fértil do vale. Foi aqui que um grupo de artistas de rua fundou o Cirque du Soleil em 1984, e a Rue Saint-Jean-Baptiste ainda tem mais de vinte galerias de arte em casas de madeira coloridas, uma ao lado da outra.

Musée maritime de Charlevoix: as goletas em terra seca

Uma goleta de madeira em terra seca no estaleiro do Musée maritime de Charlevoix
Foto: Malimage / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Parada rápida, 1h15, ingresso pago, a 20 minutos a leste de Baie-Saint-Paul pela Route du Fleuve, que desce até a beira da água e é uma das estradas mais bonitas da região.

O museu ocupa o estaleiro de Saint-Joseph-de-la-Rive, onde se construíram as últimas goletas de madeira que transportavam carga pelo rio São Lourenço até os anos 1960. Três delas estão em terra seca e podem ser percorridas por dentro.

Isle-aux-Coudres: a balsa é gratuita e a volta tem 26 km

A margem da Isle-aux-Coudres, com o vilarejo à beira do rio São Lourenço e as colinas atrás
Foto: Nichole Ouellette / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Três horas com a travessia, balsa gratuita saindo de Saint-Joseph-de-la-Rive a cada meia hora. Jacques Cartier desembarcou aqui em 1535 e batizou a ilha pelas aveleiras que encontrou.

A volta completa tem 26 km e se faz de carro em uma hora ou de bicicleta em meio dia. Pare nos dois moinhos restaurados, um de água e um de vento, que ainda moem trigo no verão, e nas padarias que assam pão em forno de pedra. O restante é estrada de campo entre celeiros e a água do rio, que ali já é salgada e tem 15 km de largura.

Volte a Québec pelo mesmo caminho, cerca de 1h40 desde a balsa.

Dia 7: volta a Montréal, o Marché Atwater e o Oratoire

Marché Atwater: a última parada de comida antes do voo

A torre art déco do Marché Atwater, em Montreal, contra o céu azul
Foto: Colin Rose / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Parada rápida, 45 minutos, de graça, a 2h40 de Québec pela autoestrada 20. Saia cedo da cidade de Québec: o trajeto é direto e sem graça, e o melhor do dia está na chegada.

O Atwater é de 1933, como o Jean-Talon, mas é menor e mais concentrado: uma nave central com açougues e queijarias, a torre art déco de relógio no meio e as bancas de produtor do lado de fora, com vista para o canal de Lachine. É o lugar para comprar xarope de bordo de verdade, em lata, e queijo curado para levar.

Oratoire Saint-Joseph: a maior igreja do Canadá

A fachada e a cúpula verde do Oratoire Saint-Joseph, em Montreal, no alto da escadaria
Foto: King of Hearts / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de 1h15, entrada gratuita com contribuição voluntária, a 15 minutos de carro do mercado, na encosta oeste do Mont Royal e a caminho do aeroporto.

A cúpula tem 97 metros e é a terceira maior de igreja no mundo, depois de São Pedro e do Duomo de Milão. A história é mais interessante que o tamanho: o irmão André, um porteiro de colégio analfabeto e doente, começou em 1904 com uma capela de madeira de 5 por 5 metros no morro, e a fama de curandeiro dele trouxe o dinheiro que construiu tudo isso em trinta anos.

Suba os 283 degraus da escadaria central se quiser, ou use o elevador lateral. Do terraço se vê o oeste de Montréal inteiro. Do Oratoire ao aeroporto são 20 minutos.

Brasileiro precisa de visto para o Canadá?

Precisa de uma das duas coisas: visto de visitante ou eTA, a autorização eletrônica. Nunca as duas. Qual delas depende do seu histórico, e essa é a parte que quase todo conteúdo em português explica errado.

O Brasil está na lista de países que podem trocar o visto pela eTA se duas condições forem cumpridas: você já teve visto canadense nos últimos 10 anos ou tem visto americano de não imigrante válido, e você chega ao Canadá de avião. A eTA custa 7 dólares canadenses, sai em minutos na maioria dos casos, fica presa ao passaporte e vale 5 anos ou até o passaporte vencer.

O detalhe que estraga viagem: chegando por terra ou por mar, vindo dos Estados Unidos de carro, ônibus ou trem, a eTA não serve e o visto de visitante volta a ser obrigatório. Quem não se encaixa nas duas condições também precisa do visto, que exige biometria e leva semanas. Confira o seu caso no site do governo canadense antes de comprar a passagem.

Qual a melhor época para viajar para o Québec?

De fim de setembro a meados de outubro, se o objetivo for o outono. É quando os bordos viram vermelho e laranja no vale do São Lourenço, a temperatura fica entre 8 e 18 graus e as filas de verão já passaram. O pico da cor chega primeiro em Charlevoix e nas montanhas e uma ou duas semanas depois em Montréal.

De junho a agosto é a alta temporada: dias longos, tudo aberto, festivais quase toda semana em Montréal e calor de 25 a 30 graus, que surpreende quem espera um Canadá frio. É também quando os preços de hotel sobem mais.

De dezembro a março a cidade de Québec fica coberta de neve e vira o cartão-postal de inverno do país, com o Carnaval em fevereiro e o Hôtel de Glace, mas as temperaturas ficam entre 15 negativos e 5 negativos e várias atrações do interior fecham. Abril e novembro são os meses a evitar: a neve derreteu, as folhas caíram e nada está aberto.

Como chegar ao Québec e como alugar carro para este roteiro

Há voo direto de São Paulo para Montréal pela Air Canada, cerca de 10 horas. As outras rotas passam por Toronto, Nova York ou uma capital europeia. O aeroporto de Montréal fica a 25 minutos do centro pelo ônibus 747, que funciona 24 horas.

O carro é alugado no Dia 3 e devolvido no Dia 7. Em Montréal ele é dispensável e caro: o metrô cobre tudo o que este roteiro faz, e estacionamento no Vieux-Montréal passa de 25 dólares por dia. Na cidade de Québec, a parte murada é fechada ou estreita demais para carro, então ele fica no hotel nos dias 4 e 7.

Três avisos práticos. A conversão à direita no sinal vermelho é proibida na ilha de Montréal e permitida no resto da província, o que confunde. Os pedágios são poucos e as estradas são boas, mas a 138 pela Côte-de-Beaupré e por Charlevoix é de pista simples com curvas e sobe e desce forte. E quase tudo é em francês, incluindo placa de estrada: o inglês funciona em Montréal, menos fora dela.

Onde comer no Québec: pratos típicos e endereços

A cozinha quebequense é francesa passada por dois séculos de inverno rigoroso: gordura, batata, porco e xarope de bordo. E Montréal tem, por habitante, uma das maiores densidades de restaurante da América do Norte.

Porção de poutine com batatas fritas, queijo em grãos e molho marrom por cima
A poutine, batata frita com queijo em grãos e molho, inventada no interior do Québec nos anos 1950. Foto: IsabelleDuf / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A poutine é o prato nacional e não é uma piada gastronômica: batata frita coberta de queijo cheddar fresco em grãos, que range no dente, e molho de carne quente por cima, que derrete o queijo pela metade. O teste de uma boa poutine é o rangido do queijo. Custa de 10 a 16 dólares canadenses e está em qualquer lugar, do restaurante ao caminhão de rua.

A vitrine da padaria St-Viateur Bagel, em Montréal, com o letreiro azul e amarelo
A St-Viateur, no Mile End, uma das duas padarias que disputam o melhor bagel de Montréal. Foto: Bohemian Baltimore / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O bagel de Montréal é outro produto: fervido em água com mel e assado em forno a lenha, ele sai mais fino, mais doce e mais crocante que o de Nova York. A St-Viateur, no Mile End, funciona 24 horas por dia desde 1957 e vende pela unidade ou pela dúzia, quente do forno. A Fairmount, a duas quadras, é a rival histórica e a discussão sobre qual é melhor não termina.

Sanduíche de smoked meat do Schwartz s Deli, em Montréal, com a carne empilhada no pão de centeio
O sanduíche de smoked meat do Schwartz s, aberto na boulevard Saint-Laurent desde 1928. Foto: Guilhem Vellut / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O smoked meat é peito bovino curado em sal e especiarias por dez dias, defumado e cozido no vapor, fatiado à mão e empilhado entre duas fatias de pão de centeio com mostarda. O Schwartz s, na boulevard Saint-Laurent desde 1928, é o endereço histórico: peça o corte médio, gordo o suficiente para não ressecar, e conte com fila na calçada.

Uma tourtière, torta salgada de carne moída com massa dourada, cortada num prato
A tourtière, torta de carne que o Québec come no Natal e encontra o ano todo nos mercados. Foto: Marc-Lautenbacher / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A tourtière é uma torta de carne moída temperada com cravo e canela, tradicional da ceia de Natal e vendida o ano todo nos mercados. Na região do Saguenay ela vira um prato fundo com carne em cubos e batata. Peça também pâté chinois, a versão local do escondidinho, com carne, milho e purê em três camadas.

Garrafa de cidra de gelo do Québec com o rótulo em primeiro plano
A cidra de gelo, feita com maçãs que congelam na árvore, invenção quebequense dos anos 1990. Foto: tnarik / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Para beber, a cidra de gelo: maçãs deixadas congelar na árvore ou depois da colheita, prensadas com o açúcar concentrado pelo frio. É doce, ácida e forte, servida gelada como vinho de sobremesa, e nasceu no Québec nos anos 1990. Compre numa cidreria da Île d Orléans, que sai bem mais barato que no aeroporto.

7 dias são suficientes para conhecer o Québec?

São suficientes para o corredor do rio São Lourenço, que concentra quase tudo o que se procura na província: Montréal, a cidade de Québec, a Côte-de-Beaupré e a entrada de Charlevoix. Sete dias com duas bases e carro do terceiro ao sétimo dia cobrem isso sem correria, e esse é o limite honesto.

O que ficou de fora, e vale acrescentar com mais dias: Tadoussac e a foz do Saguenay, a três horas de Québec, onde se vê baleia-beluga e baleia-jubarte de junho a outubro; o Parc national des Hautes-Gorges-de-la-Rivière-Malbaie, o fiorde de montanha de Charlevoix; Mont-Tremblant e os Laurentides, a 1h30 ao norte de Montréal, que fazem mais sentido no inverno; e a península da Gaspésie, que sozinha pede dez dias.

Se a sua viagem for de dezembro a março, troque Charlevoix por uma noite na cidade de Québec durante o Carnaval e reserve um dia inteiro para a neve, porque tudo demora mais.

Orçamento estimado por pessoa (BRL)

Voo internacionalR$ 4.800 a R$ 8.000 (ida e volta do Brasil)
Hospedagem/noite160 a 280 dólares canadenses (duplo)
Alimentação/dia60 a 100 dólares canadenses por pessoa
Ingressos e transporte local90 a 140 dólares canadenses (ingressos)
Total estimado1.400 a 2.300 dólares canadenses, sem voo

Preços conferidos em 23 de setembro de 2026. Confira o valor atual em Basilique Notre-Dame de Montreal, horarios e tarifas · Citadelle de Quebec, horarios e admissao · Sepaq, Parc de la Chute-Montmorency, tarifas · Canyon Sainte-Anne, tarifas e horarios · Oratoire Saint-Joseph, acesso e horarios · Governo do Canada, quem pode pedir a eTA.

Perguntas frequentes

Brasileiro precisa de visto para o Canadá?+

Precisa de visto de visitante ou de eTA, nunca das duas coisas. O brasileiro pode trocar o visto pela eTA, que custa 7 dólares canadenses e sai em minutos, se já teve visto canadense nos últimos 10 anos ou tem visto americano de não imigrante válido, e se chegar de avião. Chegando por terra ou por mar, vindo dos Estados Unidos, a eTA não vale e o visto de visitante é obrigatório. A eTA fica presa ao passaporte e vale 5 anos ou até o passaporte vencer.

Quanto custa uma viagem de 7 dias para o Québec?+

Entre 1.400 e 2.300 dólares canadenses por pessoa, sem a passagem internacional, contando hotel de categoria média em quarto duplo, comida, o carro alugado por cinco dias com combustível e os ingressos do roteiro. Os ingressos somam de 90 a 140 dólares canadenses, e os mais caros são a Citadelle de Québec (22), a Basílica Notre-Dame de Montréal (16) e o teleférico de Montmorency (cerca de 15). A passagem do Brasil fica entre 4.800 e 8.000 reais ida e volta.

Precisa alugar carro para viajar pelo Québec?+

Neste roteiro, só a partir do terceiro dia. Montréal se faz inteira de metrô, e o carro ali custa mais de 25 dólares canadenses por dia de estacionamento no Vieux-Montréal. A cidade murada de Québec também é toda a pé. O carro é necessário para Trois-Rivières, a Île d Orléans, a Côte-de-Beaupré e Charlevoix, que não têm ligação de trem entre si. Alugue no Dia 3 e devolva no Dia 7.

Dá para viajar pelo Québec falando só inglês?+

Em Montréal, sim, sem esforço: a cidade é bilíngue e quase todo mundo no comércio e na hotelaria atende em inglês. Na cidade de Québec o turismo funciona em inglês, mas fora dele a resposta costuma vir em francês. Em Charlevoix, na Île d Orléans e nos vilarejos do interior, o francês é a língua corrente e o inglês é ocasional. Toda placa de estrada é em francês, inclusive as de perigo, e vale aprender arrêt, sortie, ouest e est antes de pegar o carro.

Quando as folhas ficam vermelhas no Québec?+

De fim de setembro a meados de outubro, com variação de duas semanas conforme o ano e a altitude. A cor chega primeiro às montanhas de Charlevoix e dos Laurentides, por volta da última semana de setembro, e desce para o vale do São Lourenço e Montréal na primeira quinzena de outubro. O governo do Québec publica um mapa semanal de progresso da cor na temporada, que é o jeito mais confiável de acertar a data.

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