Argentina · Ushuaia · El Calafate · 12 min de leitura
6 dias · 2 cidades
Duração
6 dias
Orçamento estimado
R$ 7.500 a R$ 11.500, 6 dias
Melhor época
Nov-mar (verão) ou jun-ago (esqui)
Visto
Não precisa, só RG (Mercosul)
Este roteiro de 6 dias pela Patagônia Argentina usa duas bases, Ushuaia e El Calafate, ligadas por um voo curto: três dias no fim do mundo e três diante do Glaciar Perito Moreno.
Em resumo: centro de Ushuaia, o Parque Nacional Tierra do Fogo, o Canal de Beagle e o Glaciar Martial, a Estância Harberton com sua pinguineira, e dois dias em El Calafate. Visto, época e onde comer, nos blocos práticos, no fim.

A avenida principal de Ushuaia concentra lojas de equipamento de trekking, casas de chocolate artesanal e restaurantes, sempre com as montanhas nevadas da Cordilheira Darwin ao fundo. É o ponto de partida natural para se situar na cidade mais austral do mundo antes de sair para os passeios.
Funcionando até 1947, o presídio de Ushuaia abrigou os presos que ajudaram a construir a cidade e a ferrovia que hoje é atração turística. O museu ocupa os pavilhões originais, com celas reconstituídas e uma seção dedicada à história marítima e à exploração antártica.

O trem de bitola estreita percorre 7 km dentro do Parque Nacional Tierra do Fogo, refazendo o trajeto que os presos faziam a pé até a floresta para cortar lenha. O passeio dura cerca de 1 hora e termina dentro do parque, de onde dá para seguir a pé até a Bahía Lapataia.
Entrada não incluída no ingresso do parque nacional; reserve com antecedência no verão.

A Bahía Lapataia marca o fim da Rota Nacional 3, rodovia que começa em Buenos Aires e percorre mais de 3 mil quilômetros até aqui. Uma placa de madeira marca oficialmente o "fim do mundo, início de tudo", cercada por turfeiras e a floresta de lengas típica da região.

Erguido em 1920 numa pequena ilha rochosa do Canal de Beagle, o Farol Les Éclaireurs é o mais fotografado da Patagônia, embora não seja, como muitos acreditam, o farol descrito por Júlio Verne em "O Farol do Fim do Mundo". O passeio de barco de cerca de 2 horas parte do porto de Ushuaia.

Antes de chegar ao farol, o barco passa por um ilhote coberto de leões marinhos, uma colônia permanente que costuma reunir dezenas de animais deitados nas pedras, com filhotes visíveis entre outubro e março.

A meia hora do centro, o Glaciar Martial pode ser visto por uma trilha de cerca de 1h30 de subida ou por um teleférico que corta caminho. Do mirante, a vista abrange toda a baía de Ushuaia e o Canal de Beagle ao fundo, com o Cerro Castor visível em dias claros no inverno.
Fundada em 1886 pelo missionário inglês Thomas Bridges, a Estância Harberton foi a primeira propriedade produtiva de toda a Terra do Fogo e ainda pertence à mesma família. O casarão de madeira, encomendado pronto da Inglaterra e montado peça por peça, pode ser visitado com guia.

A cerca de 20 minutos de barco da Estância Harberton, a Isla Martillo abriga uma colônia de pinguins-de-magalhães que se reproduz na ilha entre outubro e abril, quando é possível desembarcar e caminhar entre os ninhos com um guia naturalista.
A menos de 80 km de El Calafate, as passarelas do Parque Nacional Los Glaciares levam a poucos metros da parede de gelo de 60 metros de altura e 5 km de largura do Perito Moreno, uma das raras geleiras do planeta que ainda avança sobre o lago em vez de recuar.
De tempos em tempos, blocos de gelo se desprendem com um estrondo audível a centenas de metros; reserve ao menos 3 horas nas passarelas para aumentar a chance de flagrar uma ruptura.
Quem quer pisar no gelo tem a opção do minitrekking, caminhada guiada de cerca de 1h30 sobre a superfície do glaciar com crampons presos às botas, precedida por uma travessia de barco até a base da geleira. O passeio é vendido à parte da entrada do parque.

A poucos minutos a pé do centro de El Calafate, a Reserva Laguna Nimez protege uma lagoa rasa onde flamingos-chilenos se alimentam ao lado de patos e outras aves da estepe, com trilhas curtas e sem necessidade de guia.

O Glaciarium explica com maquetes e vídeos como se forma um campo de gelo e por que o Perito Moreno avança enquanto a maioria das geleiras do mundo recua. O ingresso combinado dá acesso ao Glacio Bar, um bar inteiro esculpido em blocos de gelo, com direito a um drinque servido em copo de gelo.
Não. Como membro do Mercosul, a Argentina aceita a entrada de brasileiros só com RG (documento de identidade civil, com foto e emitido há menos de 10 anos), sem necessidade de visto nem de passaporte para viagens terrestres. Para voos, companhias aéreas costumam exigir passaporte por norma interna, mesmo sem exigência do governo argentino.
A estadia sem visto vale por até 90 dias, prorrogáveis por mais 90 na Direção Nacional de Migrações.
O verão austral, de novembro a março, tem dias longos (até 17 horas de luz em dezembro), temperaturas amenas para caminhar e é a única janela viável para o Glaciar Martial sem neve na trilha e para avistar os filhotes de pinguim e leão-marinho.
O inverno, de junho a agosto, atrai quem quer esquiar no Cerro Castor, tem preços mais baixos e menos turistas, e é quando a LATAM abre voo direto sazonal entre São Paulo e Ushuaia. O Glaciar Perito Moreno pode ser visitado o ano todo.
Entre 1º de julho e 31 de agosto de 2026, a LATAM opera voo direto entre Guarulhos e Ushuaia, quatro vezes por semana, desenhado para a temporada de neve. Fora dessa janela, o caminho mais comum é voar até Buenos Aires e pegar uma conexão doméstica para Ushuaia ou El Calafate.
Entre as duas cidades patagônicas não há estrada direta prática: o trajeto é sempre de avião, com voo de cerca de 1h15 operado por Aerolíneas Argentinas ou LATAM.
O cordeiro patagônico, criado ao ar livre nas estâncias da região, é assado inteiro e aberto em cruz diante da brasa, no estilo conhecido como "a la estaca" ou "al asador".

Em El Calafate, a parrilla mais lembrada é a La Tablita, na margem do Arroyo La Anita, especializada em cordeiro e bife de chorizo grelhados na parrilla tradicional argentina, com fila de espera comum no jantar de verão.

Nos dois destinos vale provar a centolla, o caranguejo gigante do Canal de Beagle, geralmente servido gratinado ou em bisque, embora o preço tenha subido bastante nos últimos anos por causa da fiscalização mais rígida da pesca.
Evite os restaurantes de menu turístico fixo direto na Avenida San Martín em Ushuaia: um quarteirão fora do eixo principal, o preço do mesmo prato costuma cair pela metade.
A Argentina opera com câmbio flutuante desde 2024, mas ainda vale ficar atento a diferenças entre casas de câmbio: cartões de crédito internacionais costumam converter pela cotação oficial do dia, enquanto pagar em dinheiro (dólar ou real) em casas de câmbio autorizadas pode render uma taxa mais vantajosa.
Leve parte do orçamento em espécie e compare a cotação de pelo menos duas casas de câmbio antes de trocar, especialmente em Ushuaia, onde a oferta é menor que em Buenos Aires.
Seis dias cobrem o essencial sem correria: o fim do mundo em Ushuaia, com o Canal de Beagle e o Parque Nacional Tierra do Fogo, e o Glaciar Perito Moreno em El Calafate. É o tempo mínimo para não sentir que passou correndo pelas duas cidades, que juntas já formam uma viagem completa pela Patagônia argentina.
Com mais tempo, o complemento natural é El Chaltén, a 215 km de El Calafate e capital argentina do trekking, com a trilha até o Monte Fitz Roy, viável apenas no verão (novembro a março). Com menos de 5 dias, o corte mais comum é reduzir Ushuaia a dois dias e abrir mão da Estância Harberton.
Preços conferidos em 14 de setembro de 2026. Confira o valor atual em Tarifas oficiais dos parques nacionais (argentina.gob.ar) · Trem do Fim do Mundo oficial (trendelfindelmundo.com.ar).
Uma viagem de 6 dias para Ushuaia e El Calafate sai entre R$ 7.500 e R$ 11.500 por pessoa, incluindo passagem aérea, o voo doméstico entre as duas cidades, hospedagem, alimentação e os principais passeios (Parque Tierra do Fogo, Canal de Beagle e Glaciar Perito Moreno), com preços conferidos em setembro de 2026.
Não. Basta o RG (documento de identidade civil válido, emitido há menos de 10 anos) para estadias de até 90 dias, sem necessidade de visto. Companhias aéreas costumam pedir passaporte para o voo, mesmo sem exigência do governo argentino.
Seis dias cobrem as duas cidades sem pressa: três em Ushuaia e três em El Calafate. Com 4 dias dá para reduzir Ushuaia a dois, e com 8 ou mais dá para somar El Chaltén e a trilha até o Monte Fitz Roy.
Vale para quem quer pisar no gelo de verdade, mas é opcional: as passarelas já oferecem vista completa da parede de gelo de 60 metros sem custo extra e sem exigir preparo físico. O minitrekking é vendido à parte, dura cerca de 1h30 sobre o gelo e inclui a travessia de barco até a base do glaciar.
Sim, Ushuaia e El Calafate estão entre os destinos mais seguros da Argentina para turismo, com criminalidade baixa mesmo à noite. O maior risco prático é o clima: ventos fortes e mudanças bruscas de temperatura pedem roupa em camadas em qualquer época do ano.
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