
Ulaanbaatar · Terelj · Deserto de Gobi · Dalanzadgad · Bayanzag · Khongoryn Els · 15 min de leitura
8 dias · 5 cidades
Duração
8 dias
Orçamento estimado
US$ 2.900 a 4.300 por pessoa, 8 dias
Melhor época
Jun-set (verão, ameno)
Visto
Isento até 30 dias (até dez/2026)
Este roteiro de 8 dias pela Mongólia divide a viagem em Ulaanbaatar, Terelj e o Deserto de Gobi, ligados por um voo doméstico de uma hora entre Ulaanbaatar e Dalanzadgad em vez do trajeto por terra, de dois dias.
Em resumo: 3 dias na capital e Terelj, 1 dia de deslocamento, 4 dias no Gobi entre Yolyn Am, Bayanzag e as dunas de Khongoryn Els. Visto, época e como circular pelo deserto estão no fim do artigo.

O avião pousa no Aeroporto Internacional Chinggis Khaan e o traslado até o centro leva cerca de 50 minutos. Depois do check-in no hotel, às 14h, a caminhada da tarde começa na Praça Sukhbaatar (também chamada Praça Chinggis Khaan), o centro cívico de Ulaanbaatar desde 1921. No lado norte fica o Palácio do Governo, com uma estátua sentada de Genghis Khan de 4 metros flanqueada por Ogedei e Kublai Khan; no meio da praça, a estátua equestre de Damdin Sükhbaatar, líder da revolução de 1921 que lutou pela independência da Mongólia.
Reserve pelo menos 40 minutos para atravessar a praça com calma e fotografar o palácio. À noite, principalmente no verão, é ponto de encontro de famílias e patinadores.

A oito minutos a pé da praça, o Grande Armazém Estatal (Ikh Delguur) é a maior loja de departamentos da Mongólia, aberta desde 1921. O terceiro andar concentra lojas de cashmere mongol, mais barato aqui do que em qualquer aeroporto, e o subsolo tem um supermercado útil para comprar água e lanches antes da viagem ao deserto.

A 3 km a oeste do centro, o Mosteiro Gandantegchinlen é o principal centro budista tibetano em atividade da Mongólia, reconstruído depois de ter sido fechado pelo regime comunista em 1938. O templo principal, Migjid Janraisig, abriga uma estátua dourada de 26,5 metros de Avalokiteshvara (a original foi derretida pelos soviéticos e reconstruída em 1996 com doações do Japão e do Nepal). Monges giram os cilindros de oração ao redor do pátio; dentro do templo principal, ingresso pago, é permitido fotografar sem flash.
Reserve de 1 hora a 1h30. Chegar antes das 9h evita os grupos de turistas.

No caminho de volta ao centro, o Templo-Museu Choijin Lama, construído entre 1904 e 1908, é um dos poucos conjuntos religiosos que sobreviveram aos expurgos comunistas dos anos 1930, preservado por ter virado museu em 1942. Os cinco templos guardam máscaras cerimoniais de tsam, esculturas do artista Zanabazar e pinturas thangka. Está cercado por arranha-céus modernos, um contraste que já vale a visita.

Ao sul da cidade, o Memorial Zaisan é um mural circular soviético em mosaico erguido em 1979 para lembrar os soldados mongóis e soviéticos mortos na Segunda Guerra Mundial, no topo de uma colina alcançada por 300 degraus. Do alto, a vista cobre toda Ulaanbaatar emoldurada pelas montanhas Bogd Khan.

Aos pés da colina do Zaisan, uma estátua de Buda em pé de 23 metros, banhada a ouro e doada por budistas sul-coreanos em 2006, marca o início da subida. Vale parar cinco minutos antes de encarar os degraus.

Aberto em outubro de 2022, o Museu Nacional Chinggis Khaan é o maior museu da Ásia dedicado a um único tema: os 2 mil anos de história do território mongol, com foco no império de Genghis Khan. Nove andares e mais de 10 mil peças, 90% originais, incluindo armaduras do século 13 e réplicas de altíssima precisão de relíquias de museus de 14 países. Reserve de 2 a 3 horas; o ingresso da exposição permanente custa 30.000 MNT (cerca de US$ 9) para estrangeiros, mais uma taxa separada para fotografar.

Quinze minutos a pé dali, o Museu Zanabazar de Belas Artes reúne quase 20 mil peças do período paleolítico ao início do século 20, com destaque para as esculturas de bronze dourado do próprio Zanabazar (1635-1723), o primeiro Bogd Gegen e principal escultor budista da Mongólia.

No extremo sudeste do centro, a cerca de 20 minutos de táxi, o Mercado Naran Tuul (o "Mercado Negro", apesar do nome nada tem de ilegal) é o maior mercado a céu aberto do país: botas de couro forradas em pele, deels (o traje tradicional mongol), cashmere e itens de montaria em ger. Fecha às terças-feiras; leve dinheiro trocado e compare preço em pelo menos três barracas antes de comprar.

A 54 km a leste de Ulaanbaatar, a caminho de Terelj, a Estátua Equestre de Chinggis Khaan é a maior estátua equestre do mundo: 40 metros de aço inoxidável erguidos em 2008 sobre uma base circular que funciona como museu e mirante. Um elevador leva até o pescoço do cavalo, de onde se vê toda a estepe ao redor. Vale parar de 45 minutos a 1 hora.

Dentro do Parque Nacional de Gorkhi-Terelj, a Rocha da Tartaruga é uma formação de granito de 24 metros esculpida pelo vento e pelo gelo ao longo de milhões de anos, com o formato inconfundível do casco e da cabeça de uma tartaruga. Uma trilha curta e íngreme leva até o topo.

A poucos minutos dali, uma escada de madeira com 108 degraus (o número de contas de um rosário budista) leva ao Templo de Meditação Aryabal, reconstruído no início dos anos 2000 depois de ter sido destruído nos expurgos de 1930. O caminho até lá atravessa uma ponte sobre o rio Terelj com vista para os penhascos ao redor.
O trajeto por terra entre Ulaanbaatar e o Deserto de Gobi Gurvansaikhan leva de 10 a 12 horas de estrada, a maior parte sem asfalto. O voo doméstico até o Aeroporto Gurvan Saikhan, em Dalanzadgad, resolve isso em cerca de uma hora, com operação da Hunnu Air e da AeroMongolia. Do aeroporto, uma van 4x4 com motorista e guia, praticamente obrigatória fora de Ulaanbaatar, leva até o acampamento de gers perto do Vale de Yolyn Am, cerca de 1h30 de estrada de terra.

No trajeto de 4x4 até o acampamento, a paisagem muda de estepe seca para dunas baixas e cadeias de montanhas de rocha nua no horizonte, o primeiro contato visual com a escala do Gobi: mais de 1,3 milhão de km² entre a Mongólia e a China, um dos maiores desertos do mundo.

Yolyn Am, o Vale das Águias, é um desfiladeiro dentro do Parque Nacional Gobi Gurvansaikhan que corta as montanhas Zuun Saikhan. A caminhada começa no estacionamento junto a um pequeno museu de história natural e segue por cerca de 3 km ao longo de um riacho, entre paredes de rocha cada vez mais estreitas. É comum avistar abutres-barbados e argalis, a maior espécie de ovelha selvagem do mundo.

Nos trechos mais profundos e sombreados do desfiladeiro, uma camada de gelo perene cobre o fundo do vale até o meio do verão, mesmo com o deserto ao redor passando dos 30°C durante o dia. Carrinhos puxados a cavalo fazem o trecho final para quem não quiser caminhar.

A cerca de 3 horas de estrada de Yolyn Am, as Falésias Flamejantes de Bayanzag ficaram famosas em 1923, quando a expedição do paleontólogo americano Roy Chapman Andrews encontrou ali os primeiros ovos de dinossauro fossilizados já identificados pela ciência. As formações de arenito vermelho ficam mais intensas ao entardecer, quando a luz baixa acende o tom alaranjado da rocha.

Depois de mais 3 a 4 horas de estrada, as Dunas de Khongoryn Els (também chamadas "Duut Mankhan", dunas cantantes) se estendem por mais de 100 km, com cristas que chegam a 300 metros de altura. É a parada mais fotografada do Gobi, e o acampamento de gers fica aos pés das dunas.

Ao amanhecer, antes do calor do dia, famílias nômades que vivem ao redor das dunas oferecem passeios curtos de camelo-bactriano, a espécie de duas corcovas nativa da Ásia Central. É também a melhor luz para fotografar as dunas, com sombras longas realçando as curvas da areia.

De volta a Dalanzadgad (cerca de 3h30 de estrada), o voo de retorno pousa no Aeroporto Internacional Chinggis Khaan, inaugurado em 2021 a 52 km do centro de Ulaanbaatar. Para quem tem conexão internacional só no dia seguinte, vale reservar a última tarde para o Grande Armazém Estatal, já visitado no Dia 1, ou simplesmente descansar antes do voo mais longo de volta ao Brasil.
Não. Brasileiros entram na Mongólia sem visto para turismo por até 30 dias, sob uma regra temporária de isenção que vale para 34 países e está confirmada até dezembro de 2026, com chance de ser estendida até 2028. Para ficar mais de 30 dias (até 90 no total), é preciso se registrar na Agência de Imigração da Mongólia dentro de 7 dias após a chegada; quem fica até 30 dias não precisa desse registro. Vale checar a validade da regra pouco antes de comprar a passagem, já que é uma política temporária, não uma lei permanente.
De junho a setembro, o verão mongol: dias longos, temperaturas amenas na capital (15°C a 25°C) e nas estepes, e os acampamentos de ger no Gobi e em Terelj abertos para a temporada. Julho traz o festival Naadam (9 a 11 de julho), com corrida de cavalo, luta e tiro com arco, mas também o pico de preços e lotação de voos e hotéis; reserve com meses de antecedência nessa janela. O inverno mongol (novembro a março) chega a -30°C em Ulaanbaatar e fecha praticamente toda a infraestrutura turística fora da capital.
Não há voos diretos do Brasil. As conexões mais comuns passam por Istambul (Turkish Airlines), Seul (Korean Air ou MIAT Mongolian Airlines) ou Pequim (Air China ou MIAT), com o trecho final pousando no Aeroporto Internacional Chinggis Khaan (código UBN), a 52 km de Ulaanbaatar. Dentro do país, o transporte público praticamente não existe fora da capital: a forma padrão de viajar é contratar um 4x4 com motorista e guia, quase sempre obrigatório para chegar às áreas rurais e ao deserto. Para o Gobi especificamente, o voo doméstico Ulaanbaatar-Dalanzadgad (cerca de 1h, com a Hunnu Air ou a AeroMongolia) substitui as 10 a 12 horas de estrada de terra, e o deslocamento entre os pontos do deserto (Yolyn Am, Bayanzag, Khongoryn Els) é sempre feito nesse mesmo veículo 4x4.
A base da culinária mongol é a carne (cordeiro, cabra, cavalo) e o leite, reflexo direto da vida nômade: quase não há vegetais nem especiarias.

Buuz são bolinhos de massa fina cozidos no vapor, recheados com carne de cordeiro ou boi moída, cebola e um pouco de gordura, o prato mais comum em qualquer mesa mongol, especialmente no Ano Novo Lunar (Tsagaan Sar). Khuushuur é a versão frita, em formato de meia-lua, vendida em bancas de rua e virou o lanche símbolo do festival Naadam, em julho.

A Khaan Buuz, rede de fast-food mongol aberta 24 horas, tem uma unidade de fachada verde bem em frente ao Grande Armazém Estatal e serve buuz e khuushuur por menos de US$ 2 o prato, sem necessidade de reserva.

Airag é o leite de égua fermentado, levemente alcoólico e ácido, bebida cerimonial oferecida a visitantes em acampamentos nômades no verão; um gole já é educadamente suficiente se o sabor não agradar. Evite pedir airag em restaurantes turísticos de Ulaanbaatar fora do verão: a versão de verdade só existe onde há éguas sendo ordenhadas, no campo.
Curiosidade: durante o Naadam, em julho, o consumo de khuushuur é tão alto que o número de bolinhos fritos vendidos ao redor do estádio central vira até um indicador informal do tamanho do público do festival.
Para Ulaanbaatar, Terelj e os três pontos centrais do Gobi Gurvansaikhan (Yolyn Am, Bayanzag e Khongoryn Els), sim, desde que o trajeto entre a capital e o deserto seja feito de avião. Quem tiver mais tempo pode esticar para 10 ou 12 dias e incluir o Parque Nacional de Hustai (cavalos selvagens de Przewalski) ou seguir para o oeste do país, região dos lagos e das montanhas Altai, fora do escopo deste roteiro. Quem tiver só uma semana deve cortar um dia de Ulaanbaatar (juntando os Dias 2 e 3) em vez de reduzir o Gobi, que é o motivo real de vir até aqui.
Preços conferidos em 16 de setembro de 2026. Confira o valor atual em Museu Nacional Chinggis Khaan, ingresso oficial · Stone Horse Mongolia, pacote Deserto de Gobi.
Não. Brasileiros entram sem visto por até 30 dias sob uma regra temporária válida até dezembro de 2026, que pode ser estendida até 2028. Ficar mais de 30 dias exige registro na Agência de Imigração da Mongólia em até 7 dias após a chegada.
Sim. O trajeto por terra entre Ulaanbaatar e o Gobi Gurvansaikhan leva de 10 a 12 horas em estrada majoritariamente de terra, contra cerca de 1 hora de voo até Dalanzadgad, operado pela Hunnu Air e pela AeroMongolia.
Considerando voo internacional, voo interno, acampamentos de ger no deserto, hotel em Ulaanbaatar e alimentação, o custo fica entre US$ 2.900 e 4.300 por pessoa.
Ulaanbaatar é tranquila para os padrões da região, mas fora dela dirigir por conta própria não é recomendado: as estradas do Gobi não têm sinalização e um guia-motorista local é praticamente obrigatório para chegar às dunas e aos vales.



















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