Vista do horizonte de Buenos Aires ao entardecer, com prédios iluminados refletindo no rio

Buenos Aires · San Telmo · La Boca · Recoleta · Palermo · Tigre · 8 min de leitura

Roteiro Buenos Aires 5 Dias: Microcentro, Palermo e Tigre

5 dias · 2 cidades

Voltar para o Roteiro

Este roteiro de 5 dias em Buenos Aires dá um dia inteiro a cada região que importa, sem trocar de hotel. O metrô (subte) liga quase todos os pontos, e o último dia é um bate-volta de trem.

Em resumo: Microcentro, San Telmo e La Boca, Recoleta, Palermo e Tigre. Visto, como circular e onde comer estão no fim do artigo.

Dia 1: Microcentro histórico

Plaza de Mayo e a Casa Rosada

Fachada rosa da Casa Rosada em Buenos Aires sob céu azul
Foto: Leonardo Delsabio / Pexels (uso livre)

A Plaza de Mayo é o coração político e histórico de Buenos Aires desde a fundação da cidade. Ao redor dela ficam a Casa Rosada (sede do governo argentino, com o balcão de onde Evita discursava), o Cabildo colonial e a Catedral Metropolitana, onde o Papa Francisco foi arcebispo antes de assumir o Vaticano. Nos dias de manifestação, bem comuns em Buenos Aires, a praça ainda cumpre seu papel histórico como palco de protesto.

Vale reservar a tarde de chegada pra caminhar por essa área com calma: além da praça, a Avenida de Mayo que sai dali é toda em arquitetura de início do século 20, com cafés históricos como o Café Tortoni, um dos mais antigos da América do Sul.

Obelisco e Avenida 9 de Julio

Obelisco de Buenos Aires ao entardecer, com luzes da cidade ao redor
Foto: Andres Idda Bianchi / Pexels (uso livre)

O Obelisco é o símbolo mais fotografado de Buenos Aires, erguido em 1936 no cruzamento da Avenida 9 de Julio (considerada uma das avenidas mais largas do mundo, com até 16 faixas) com a Avenida Corrientes, a rua dos teatros. É também o point onde a cidade comemora títulos da seleção argentina, com direito a multidão tomando a avenida inteira.

O fim da tarde é o horário mais bonito pra ver o Obelisco, com a luz baixa batendo nos prédios ao redor e o movimento de quem sai do trabalho. Dali, é fácil seguir a pé até o Teatro Colón, considerado um dos teatros de ópera com melhor acústica do mundo, ou pegar o subte de volta ao hotel.

Dia 2: San Telmo e La Boca

San Telmo, a feira de antiguidades

Feira de rua movimentada no bairro de San Telmo, em Buenos Aires
Foto: Beatriz Neves / Pexels (uso livre)

San Telmo é o bairro mais antigo de Buenos Aires, com ruas de paralelepípedo, casarios coloniais e a tradicional feira de antiguidades na Plaza Dorrego, que toma as ruas todo domingo com quase 300 barracas de móveis antigos, discos de vinil, artesanato e apresentações de tango de rua. Mesmo fora do domingo, o bairro vale a visita pelo Mercado de San Telmo, um mercado coberto de 1897 ainda em funcionamento.

É também onde fica boa parte da vida noturna de tango mais autêntica da cidade, longe dos shows turísticos caros do centro, vale perguntar no próprio bairro por uma milonga (baile de tango popular) pra essa noite.

Caminito e o bairro de La Boca

Fachadas coloridas de Caminito, no bairro de La Boca, em Buenos Aires
Foto: Miguel Cuenca / Pexels (uso livre)

La Boca é o bairro portuário que deu origem ao tango e ao clube Boca Juniors. Caminito, sua rua-museu mais famosa, é uma sucessão de casas de zinco coloridas, erguidas originalmente pelos imigrantes com sobras de tinta dos navios do porto, hoje é um point de arte de rua, mesas de restaurante na calçada e dançarinos de tango posando pra foto.

É o bairro mais fotogênico do roteiro, mas também o que pede mais atenção: fique nas ruas movimentadas de dia e evite se afastar do circuito turístico principal, já que os arredores de La Boca têm reputação de insegurança à noite.

Dia 3: Recoleta

Cementerio de la Recoleta

Corredor entre mausoléus históricos do Cementerio de la Recoleta, em Buenos Aires
Foto: Beatriz Neves / Pexels (uso livre)

O Cementerio de la Recoleta é um dos cemitérios mais impressionantes do mundo: mais de 6.400 mausoléus em estilo neoclássico, art nouveau e art déco, abrigando a elite política e cultural da Argentina desde 1822, incluindo o túmulo mais visitado do país, o de Eva Perón. A entrada é gratuita e vale reservar pelo menos 1h30 caminhando pelos corredores estreitos entre os túmulos.

Bem ao lado, a Basílica de Nuestra Señora del Pilar e o Centro Cultural Recoleta completam a visita, e a feira de artesanato que funciona nos fins de semana na praça em frente é um bom lugar pra almoçar com food trucks e música ao vivo.

Museu Nacional de Belas Artes

Fachada neoclássica do Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires, cercada por jacarandás floridos
Foto: Athena Sandrini / Pexels (uso livre)

Também a poucos minutos a pé da Recoleta, na Avenida del Libertador, o Museu Nacional de Belas Artes tem entrada gratuita e reúne mais de 13 mil obras, com nomes como Rembrandt, Rodin, El Greco e uma coleção de arte argentina de primeira linha. Funciona de terça a domingo (terça a sexta das 11h às 19h30, sábado e domingo das 10h às 19h30), fechado às segundas. Dá pra encaixar uma passada rápida pelas galerias principais antes de seguir viagem.

Floralis Genérica

Escultura Floralis Genérica em Buenos Aires, com pétalas de aço abertas contra o céu
Foto: Andre Moura / Pexels (uso livre)

A uns 400 metros do museu, subindo a Avenida del Libertador, a Floralis Genérica é uma escultura de aço e alumínio de 20 metros de altura, criada pelo arquiteto argentino Eduardo Catalano e inaugurada em 2002 na Plaza de las Naciones Unidas. As seis pétalas se abrem pela manhã e fecham ao entardecer, e em quatro noites do ano (25 de maio, 21 de setembro, 24 e 31 de dezembro) ficam abertas a noite toda. Não tem ingresso nem fila, vale só parar alguns minutos pra foto a caminho de outro ponto do bairro.

Dia 4: Palermo

Bosques de Palermo e Jardín Japonés

Ponte vermelha sobre o lago do Jardín Japonés, em Buenos Aires
Foto: Gera Cejas / Pexels (uso livre)

Palermo é o bairro mais verde e vasto de Buenos Aires, com os Bosques de Palermo (o Parque Tres de Febrero) ocupando 80 hectares de lagos, ciclovias e jardins, inclusive o Jardín Japonés, o maior jardim japonês fora do Japão, com ponte vermelha, lago com carpas e uma casa de chá tradicional. A entrada do jardim é paga (poucos dólares) e vale reservar pelo menos uma hora ali.

Depois do parque, Palermo Soho e Palermo Hollywood, as sub-regiões mais badaladas do bairro, reúnem lojas de designers independentes, muralismo de rua e a maior concentração de restaurantes e bares da cidade, o programa certo pra fechar a tarde com compras e um jantar mais elaborado antes do último dia de roteiro.

MALBA

Fachada de vidro e concreto do MALBA, o museu de arte latino-americana, em Palermo
Foto: OneEuropeanHeart / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

A dez minutos a pé do Jardín Japonés, o MALBA é o museu que fecha bem o dia em Palermo. O prédio, de vidro e concreto, foi inaugurado em 2001 e guarda a coleção de arte latino-americana do século 20 reunida por Eduardo Costantini, com Frida Kahlo, Diego Rivera, Tarsila do Amaral e Antonio Berni no mesmo andar.

A obra que a maioria vem ver é o Abaporu, de Tarsila, comprado por Costantini em 1995 e desde então o quadro brasileiro mais caro já vendido. O ingresso custa em torno de 8 dólares, às quartas é meia-entrada, e uma hora e meia dá conta do acervo permanente com calma.

Dia 5: Bate-volta a Tigre

Trem até Tigre e passeio pelo Delta do Paraná

Passeio à beira-rio em Tigre, com vegetação e barcos ao fundo
Foto: Lucas D'Jesus / Pexels (uso livre)

Tigre fica a cerca de 35 km do centro de Buenos Aires e é o passeio de um dia mais popular fora da capital. O trem sai da Estação Retiro (ou, na versão mais turística, do Tren de la Costa, com paradas ao longo do percurso) e leva pouco menos de uma hora até a estação final. De lá, o delta do Rio Paraná se abre em centenas de canais, com casas de madeira sobre palafitas, remadores e o icônico Puerto de Frutos, um mercado de artesanato e antiguidades à beira do rio.

Um passeio de barco pelo delta (cerca de 1h) é o programa mais tradicional, mostrando um jeito de viver bem diferente do resto da cidade grande: muita gente que mora nas ilhas só chega em casa de barco. É o fechamento perfeito do roteiro: um dia inteiro de natureza e água antes do voo de volta.

Puerto de Frutos

Bancas de artesanato e madeira no Puerto de Frutos, o mercado à beira do rio em Tigre
Foto: ElGuruCesar / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A quinze minutos a pé da estação de Tigre, o Puerto de Frutos é o mercado que dá nome à cidade e o melhor lugar para terminar o bate-volta. Começou no século 19 como entreposto de frutas e madeira trazidas do Delta pelos barcos, e hoje são centenas de bancas de artesanato, móveis de vime, plantas e comida, ainda na beira do rio.

Abre todos os dias, mas fim de semana é quando ele fica realmente cheio e vivo. Os preços são bem melhores que os de Palermo para o mesmo tipo de artesanato, e o pátio de comida da beira d’água é um lugar tranquilo para esperar o trem de volta. Reserve uma hora e meia.

Precisa de visto para ir para a Argentina?

Não. Brasileiro entra na Argentina como turista sem visto e sem passaporte: basta o RG em bom estado, emitido há menos de dez anos, por ser país do Mercosul. O passaporte também vale. A permanência é de até 90 dias.

Menor de 18 anos viajando sem os dois pais precisa de autorização de viagem. Se for brasileiro, a autorização é feita em cartório e vale para a saída do Brasil; confira as regras da Polícia Federal antes de comprar a passagem, porque é o motivo mais comum de barrar embarque na fronteira.

Qual a melhor época para viajar para Buenos Aires?

Março a maio e setembro a novembro são as melhores janelas. São o outono e a primavera portenhos, com temperatura entre 15 e 25 graus, que é o clima ideal para uma cidade que se conhece caminhando. Novembro tem o bônus dos jacarandás floridos, que deixam Recoleta e Palermo roxos por algumas semanas.

O verão, de dezembro a fevereiro, passa dos 35 graus com umidade alta, e muitos portenhos saem de férias, o que fecha parte dos restaurantes. O inverno raramente chega perto de zero, então é perfeitamente viável, e é quando a cidade fica mais barata e os teatros entram em temporada cheia.

Como chegar a Buenos Aires e como circular pela cidade

Há voo direto de praticamente toda capital brasileira, com LATAM, Gol, Aerolíneas e Azul. De São Paulo são 2h40. Atenção a qual aeroporto: Ezeiza (EZE) fica a 35 km do centro e recebe a maioria dos voos internacionais; Aeroparque (AEP) fica a 10 minutos de Palermo e é bem mais conveniente quando disponível.

De Ezeiza, o ônibus Tienda León até o centro leva cerca de 45 minutos, e táxi ou aplicativo sai por 25 a 40 dólares. Não aceite carona oferecida no saguão.

Na cidade, o subte é barato e resolve os trajetos longos: compre o cartão SUBE, que também serve para ônibus e para o trem até Tigre. Mas Buenos Aires é uma cidade para andar a pé, e a maior parte deste roteiro se faz caminhando dentro de cada bairro. Aplicativo de transporte é abundante e barato.

Dinheiro. Leve dólar ou euro em espécie e prefira pagar em pesos: o câmbio na rua costuma render bem mais do que o cartão. Cartão internacional funciona em quase tudo, mas com taxa pior.

Onde comer em Buenos Aires: parrillas, empanadas e sorvete

Buenos Aires é uma das melhores cidades do mundo para comer carne, e vale organizar a viagem em torno disso. O bife de chorizo e o ojo de bife são os cortes que todo mundo pede; o vacío e a entraña são os que os argentinos pedem. O choripán, no pão com chimichurri, é a versão de rua. E as empanadas, assadas e não fritas, mudam de recheio conforme a província de origem da casa.

Em Palermo, que este roteiro visita no Dia 4, fica o Don Julio, que ganhou três anos seguidos o primeiro lugar do ranking mundial de parrillas e entrou para o Hall of Fire da lista. Reserve com semanas de antecedência ou chegue na abertura e aceite esperar na calçada, onde a casa serve espumante enquanto a fila anda. Se estiver lotado, o Fogón Asado, com balcão em ferradura em volta da grelha aberta, é a alternativa de mesmo nível.

Em San Telmo, do Dia 2, La Brigada é a parrilla clássica do bairro, daquelas em que a carne se corta com colher. Em Recoleta, do Dia 3, o Elena fica dentro do Four Seasons e está entre os melhores restaurantes de carne do mundo. E, no Microcentro do Dia 1, o Café Tortoni, aberto em 1858 na Avenida de Mayo, é mais história do que gastronomia, mas o chocolate com churros vale a fila.

Para fechar: a Argentina faz sorvete de padrão italiano, e o dulce de leche granizado é o sabor obrigatório. Rapa Nui e Cadore, esta última na Avenida Corrientes, são as casas que os portenhos citam.

5 dias são suficientes para conhecer Buenos Aires?

5 dias dão conta dos bairros essenciais sem apertar: Microcentro, San Telmo, La Boca, Recoleta, Palermo e ainda um bate-volta a Tigre. Quem tem mais tempo pode esticar pra 7 dias e incluir Colônia do Sacramento, no Uruguai, a uma hora de barco pelo Rio da Prata. Com o roteiro completo salvo no Galmund, cronograma, mapa e orçamento ficam editáveis e prontos pra ajustar às suas datas.

Orçamento estimado por pessoa (BRL)

Voo internacionalR$ 1.200 a R$ 1.800 (ida e volta, principais capitais)
Hospedagem/noiteR$ 280 a R$ 450 (categoria 3-4 estrelas)
Alimentação/diaR$ 70 a R$ 130
Ingressos e transporte localR$ 150 a R$ 300 por pessoa (Jardín Japonés + passeio de barco em Tigre + museus)
Total estimadoR$ 2.800 a R$ 4.200 por pessoa

Preços conferidos em 10 de setembro de 2026. Confira o valor atual em Cementerio de la Recoleta · MALBA.

Perguntas frequentes

Brasileiro precisa de visto para ir a Buenos Aires?+

Não. Basta RG em bom estado (emitido há menos de 10 anos) ou passaporte válido, para estadias turísticas.

Quantos dias são necessários para conhecer Buenos Aires?+

5 dias dão conta dos bairros principais com calma, Microcentro, San Telmo, La Boca, Recoleta e Palermo, mais um bate-volta a Tigre. Com 7 dias dá pra incluir Colônia do Sacramento, no Uruguai.

Vale a pena o bate-volta a Tigre?+

Sim. É o passeio de um dia mais popular fora da capital, com trem de menos de uma hora até um delta de canais e casas sobre palafitas, bem diferente do resto da cidade.

É seguro andar em La Boca?+

Nas ruas de Caminito, sim, principalmente de dia. Fora do circuito turístico principal do bairro, vale mais cautela, especialmente à noite.

Quanto custa uma viagem de 5 dias para Buenos Aires?+

Uma estimativa realista fica entre R$ 2.800 e R$ 4.200 por pessoa, incluindo voo, hospedagem, alimentação e os principais passeios.

Qual a melhor época para ir a Buenos Aires?+

Outono (março a maio) e primavera (setembro a novembro) têm o clima mais agradável, entre 15°C e 25°C, sem o calor do verão nem o frio do inverno.

Plaza de Mayo e Casa RosadaObelisco de Buenos AiresSan TelmoCaminito (La Boca)Cementerio de la RecoletaBosques de Palermo e Jardín JaponésTigre e o Delta do ParanáFloralis GenéricaMuseu Nacional de Belas ArtesMALBAPuerto de Frutos

Pronto para viajar?

Salve este roteiro no seu Galmund e leve o cronograma, o mapa e o orçamento com você. Edite, compartilhe e acompanhe tudo no globo.

Salvar este roteiro no meu Galmund
Salvar este roteiro no meu Galmund