Vista aérea do Delta do Okavango, com canais de água serpenteando pela vegetação alagada

Botsuana · Maun · Delta do Okavango · Moremi Game Reserve · Khwai · Chobe · Kasane · 11 min de leitura

Roteiro Botsuana 6 Dias: Safári no Delta do Okavango e Chobe

6 dias · 4 cidades

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Este roteiro de 6 dias por Botsuana organiza o safári em torno da água: primeiro o Delta do Okavango, de mokoro, depois o Rio Chobe e seus elefantes. A viagem passa por quatro bases, Maun, Moremi, Khwai e Kasane, ligadas por estrada de terra.

Em resumo: Dia 1 em Maun, dias 2 e 3 no Delta e em Moremi, dia 4 em Khwai, dias 5 e 6 em Chobe. Visto, época e como chegar estão no fim do artigo.

Dia 1: Maun

Voo panorâmico sobre o Delta do Okavango

Voo panorâmico sobre o Delta do Okavango
Foto: Andrew Balet / Wikimedia Commons (CC BY 2.5)

Muitos safáris começam com um voo de reconhecimento sobre o Delta, e em Maun dá para reservar um na chegada, ainda à tarde. São cerca de 30 a 45 minutos num Cessna de 5 a 12 lugares, saindo do próprio aeroporto de Maun, com preço em torno de US$ 150 a US$ 250 por pessoa. Vale pedir o assento do lado esquerdo do avião, que costuma pegar a melhor vista dos canais serpenteando entre as ilhas.

Do alto fica claro por que o Delta é único: é o maior delta interior do mundo, formado por um rio que nasce em Angola e nunca chega ao mar, espalhando-se pelo Kalahari até evaporar. Em anos de cheia forte, a água some por completo até o ano seguinte.

Pôr do sol no Rio Thamalakane

Pôr do sol no Rio Thamalakane
Foto: Mothusi Sekhomba / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O fim de tarde em Maun tem um programa certo: cruzeiro de barco pelo Rio Thamalakane, que corta a cidade e alimenta o Delta mais a norte. A saída mais comum é perto do Sedia Hotel ou do Old Bridge Backpackers, dura de uma hora a uma hora e meia, e custa por volta de US$ 25 a US$ 40 por pessoa com bebida incluída.

No caminho aparecem hipopótamos, crocodilos e a ave símbolo do Delta, a águia-pesqueira-africana, cujo canto costuma ser o som de fundo de qualquer safári na região. É o jeito mais tranquilo de ajustar o fuso e já sentir a água que vai dominar os próximos dias.

Dia 2: Rumo ao Delta do Okavango

Portão Sul do Moremi Game Reserve (Maqwee)

Portão Sul do Moremi Game Reserve (Maqwee)
Foto: Adrian Michael / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A estrada de terra entre Maun e o Portão Sul de Moremi, também chamado de Maqwee, tem cerca de 150 quilômetros e leva de duas a três horas de 4x4, com parada para registrar a entrada e pagar a taxa de conservação. É aqui que a viagem deixa de ser estrada e vira parque: a vegetação muda de savana seca para mopane e depois para as primeiras lagoas.

O portão em si é simples, uma cerca e uma guarita de madeira, mas costuma ter impalas e às vezes elefantes pastando bem ao lado, o primeiro sinal de que Moremi não decepciona.

Passeio de mokoro pelas vias d’água do Delta

Passeio de mokoro pelas vias d’água do Delta
Foto: Frans-Banja Mulder / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O mokoro é a canoa escavada em tronco que os polers do Delta usam há gerações para andar entre canais rasos demais para motor. O passeio clássico sai no fim da tarde, dura de uma a duas horas, e desliza em silêncio por corredores de junco com pouco mais de um metro de largura, cruzando lírios-d’água e, com sorte, lechwes-vermelhos na margem.

Não é adrenalina, é o oposto: o silêncio é a atração. A maioria dos lodges dentro de Moremi organiza a saída a partir da própria base, sem custo extra além da diária, e vale reservar o primeiro ou o último horário do dia, quando a luz baixa faz o canal virar espelho.

Dia 3: Moremi Game Reserve

Game drive por Chief’s Island e o Mopane Tongue

Game drive por Chief’s Island e o Mopane Tongue
Foto: diego_cue / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Moremi foi a primeira reserva da África criada por iniciativa de uma comunidade local, os batawana, em 1963, e ocupa o setor leste do Delta, incluindo Chief’s Island, a maior ilha permanente da região. O game drive matinal sai ainda escuro, por volta das 6h, porque é quando os predadores ainda estão ativos e o calor não empurrou os animais para a sombra.

A faixa de terra seca conhecida como Mopane Tongue concentra a maior densidade de vida selvagem de Moremi: elefantes, búfalos, leões e, com mais paciência, leopardos. Reserve pelo menos três horas de game drive, porque costuma render também zebras, girafas e uma quantidade grande de antílopes.

Observação de aves em Third Bridge

Observação de aves em Third Bridge
Foto: Rad Dougall / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Third Bridge é uma das travessias de madeira mais fotografadas de Moremi, no ponto onde a água doce permanente do Delta encontra a faixa seca do Mopane Tongue. A parada de 20 a 30 minutos rende quase sempre alguma novidade de pássaro, já que a reserva registrou mais de 400 espécies, entre elas o jacana-africano e o martim-pescador-malaquita.

É também onde costuma aparecer o antílope-sable e o antílope-rowana, duas espécies mais raras que o guia local vai apontar de longe, então vale ter o binóculo à mão.

Dia 4: Rumo a Khwai

Game drive rumo a Khwai: elefantes na fronteira com Moremi

Game drive rumo a Khwai: elefantes na fronteira com Moremi
Foto: David Minty / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Khwai fica logo ao norte de Moremi, ligada por cerca de 70 quilômetros de pista de areia que também funciona como game drive: a viagem para lá já é parte do programa do dia, não um mero deslocamento. A área é uma concessão comunitária administrada pela própria vila de Khwai, sem cercas que separem de Moremi ou do Parque Nacional de Chobe, o que permite que a vida selvagem circule livremente entre os três.

É comum cruzar manadas de elefantes na própria pista, e o guia vai desligar o motor e esperar o tempo que for preciso até o caminho abrir.

Leões do bando de Khwai à beira do rio

Leões do bando de Khwai à beira do rio
Foto: Gregory "Slobirdr" Smith / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O Rio Khwai, que dá nome à área, atrai um dos bandos de leões mais estudados de Botsuana, com machos que costumam ficar perto da água nas horas mais quentes. Khwai também é uma das poucas áreas do país fora dos parques nacionais onde é permitido safári noturno, então vale reservar a saída depois do jantar, quando hienas e, com sorte, leopardos ficam mais ativos.

A vila de Khwai vive do turismo de safári desde que a caça foi proibida na região, em 2014, e parte da diária dos acampamentos vai para a comunidade que administra a concessão.

Dia 5: Rumo a Chobe e Kasane

Kazungula: a poucos metros de onde quatro países se aproximam

Kazungula: a poucos metros de onde quatro países se aproximam
Foto: Matthias Hille / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A pista entre Khwai e Kasane tem cerca de 150 quilômetros de estrada de terra dentro do Parque Nacional de Chobe, um trajeto de quatro a cinco horas que funciona como um último game drive antes da chegada. Perto do fim, a estrada passa por Kazungula, onde o Rio Chobe encontra o Zambeze bem no ponto em que as fronteiras de Botsuana, Zâmbia, Zimbábue e Namíbia quase se tocam, a menos de 200 metros umas das outras.

A ponte de Kazungula, aberta em 2021, substituiu a antiga balsa que levava horas de espera e hoje liga Botsuana à Zâmbia em poucos minutos, com trilho de bitola africana embutido no meio da pista para uma futura ferrovia.

Game drive pelo Chobe Riverfront: a maior concentração de elefantes da África

Game drive pelo Chobe Riverfront: a maior concentração de elefantes da África
Foto: Jerrye and Roy Klotz MD / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O trecho do Parque Nacional de Chobe às margens do rio, entre Kasane e o antigo posto de Serondela, tem a maior densidade de elefantes do continente, parte dos mais de 50 mil que vivem no parque. No fim da tarde as manadas descem em fila para beber e se banhar, e não é raro ver um grupo de cem ou mais atravessando o rio a nado.

Além dos elefantes, o Riverfront reúne búfalos, hipopótamos, crocodilos e mais de 460 espécies de aves catalogadas, o que faz de Chobe um dos parques mais densos em vida selvagem por quilômetro quadrado de toda a África Austral.

Dia 6: Parque Nacional de Chobe e Kasane

Kasane: comércio e vida à beira do rio

Kasane: comércio e vida à beira do rio
Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Kasane é pequena e vive do turismo de safári, mas a manhã livre antes do voo rende uma volta pela rua principal, com lojas de artesanato, um mercado de bairro e o Spar do centro para comprar café e lanche de estrada. A cidade fica literalmente encostada no Parque Nacional de Chobe: não é raro elefantes ou javalis cruzarem a rua durante o dia.

Trinta minutos bastam para sentir o ritmo do lugar antes do último programa da viagem.

Cruzeiro ao pôr do sol pelo Rio Chobe

Cruzeiro ao pôr do sol pelo Rio Chobe
Foto: LBM1948 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O cruzeiro de barco ao entardecer pelo Rio Chobe é o fechamento clássico de qualquer safári na região, por um motivo simples: a luz baixa some com o calor e traz os animais para a margem ao mesmo tempo em que pinta o rio de laranja. Barcos saem de Kasane a partir das 16h30, duram cerca de duas horas e custam entre US$ 30 e US$ 50 por pessoa.

É comum ver elefantes atravessando a nado, hipopótamos, crocodilos tomando sol e búfalos na margem namibiana do outro lado, já em território da Faixa de Caprivi. Reserve com um dia de antecedência, porque os barcos saem cheios na temporada seca.

Precisa de visto para ir para Botsuana?

Não. Brasileiro entra em Botsuana sem visto para turismo, com estadia de até 90 dias por ano, bastando passaporte válido por pelo menos seis meses além da data de entrada. O acordo de isenção recíproca entre Brasil e Botsuana está em vigor e cobre viagens de turismo e negócios.

Na imigração pode ser pedido comprovante de hospedagem e passagem de volta. Não há exigência de vacina para entrar vindo do Brasil, mas quem for emendar com Zâmbia, Zimbábue ou outro país da região com transmissão de febre amarela deve levar o certificado internacional de vacinação.

Qual a melhor época para o safári no Delta do Okavango e em Chobe?

Maio a outubro é a estação seca e a melhor época para safári: vegetação mais rala, animais concentrados perto das últimas fontes de água e praticamente sem chuva. Julho a setembro é a alta temporada, com clima mais fresco e melhor visibilidade, mas também preço mais alto e lodges cheios com antecedência.

O Delta do Okavango tem uma particularidade: a cheia vem de chuvas em Angola e leva meses para descer, então o pico de água no Delta acontece bem no meio da seca, entre junho e agosto, quando o resto de Botsuana já está seco havia semanas. Maio, junho, outubro e novembro equilibram bom clima, boa água no Delta e preço mais em conta do que o pico de julho a setembro.

Como chegar a Botsuana e circular entre os parques

Não existe voo direto do Brasil para Botsuana. A rota mais comum conecta em Joanesburgo e segue para Maun ou para o Aeroporto Internacional de Kasane, os dois principais portões de entrada para o safári. Gaborone, a capital, recebe a maioria dos voos internacionais, mas quem vem para o Delta e para Chobe normalmente nem passa por lá.

Entre Maun e Kasane a opção mais rápida é o voo doméstico, cerca de 45 minutos e a rota mais barata da Air Botswana. Este roteiro segue por terra em 4x4, o mesmo veículo do safári, o que custa mais tempo de estrada mas transforma cada deslocamento num game drive a mais.

Dentro dos parques, praticamente toda a locomoção é feita pelo próprio lodge ou operador, em 4x4 aberto com guia. Estrada asfaltada só liga as cidades maiores; dentro de Moremi, Khwai e Chobe as vias são de areia ou terra batida, exigindo tração nas quatro rodas o ano inteiro.

Onde comer em Botsuana: pratos típicos e onde comer

A base da cozinha de Botsuana é simples e reconfortante. O seswaa, carne de boi ou cabrito cozida lentamente e depois socada até desfiar, é o prato nacional, servido quase sempre com bogobe, um mingau grosso de sorgo ou milho, e morogo, folhas verdes silvestres refogadas. Nos lodges de safári a comida costuma ser internacional e farta, incluída na diária, mas vale pedir para provar o seswaa pelo menos uma vez.

Prato de seswaa, carne desfiada, servido com bogobe, o mingau de sorgo tradicional de Botsuana
Seswaa com bogobe, a dupla que forma a base da cozinha de Botsuana. Foto: Kalanga / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Em Maun, o Hilary’s Coffee Shop é o endereço certo para café da manhã, com pão caseiro e opções para quem sai cedo para o safári, e o Il Pomodoro serve a pizza mais conhecida da cidade, com o dono de origem italiana no comando da cozinha. Em Kasane, o restaurante do Chobe Safari Lodge tem buffet com carnes de caça, e o The Old House é a opção mais informal, conhecida pela pizza e pelo peixe com fritas à beira do Rio Chobe.

Uma iguaria local que vale ao menos experimentar, mesmo sem virar refeição inteira: os vermes-do-mopane, lagartas colhidas da árvore mopane, secas ao sol e depois fritas ou refogadas com tomate e cebola. São ricos em proteína e vendidos em qualquer mercado do interior. O que evitar: água da torneira fora dos lodges, que costuma vir de poço sem tratamento nas áreas mais afastadas, e refeição pesada demais antes de um game drive de manhã cedo, quando um café simples é suficiente até a pausa do meio da manhã.

6 dias são suficientes para conhecer Botsuana?

São, para o eixo Delta do Okavango e Chobe, que já cobre os dois ecossistemas mais procurados do país: a água doce permanente do Delta e o rio que concentra a maior densidade de elefantes da África. Seis dias dão tempo de mokoro, dois game drives completos em Moremi e Khwai e um cruzeiro de barco em Chobe, sem noites demais de estrada.

Quem tiver mais dias pode somar Savuti, no próprio Parque Nacional de Chobe, famosa pelos leões que caçam elefante, ou seguir de Kasane até as Cataratas Vitória, a menos de uma hora de carro já em território do Zimbábue ou da Zâmbia, uma das quedas d’água mais altas do mundo e uma extensão natural para quem já está tão perto da fronteira.

Orçamento estimado por pessoa (BRL)

Voo internacionalR$ 7.000 a R$ 11.000 (via Joanesburgo)
Voo domésticoR$ 550 a R$ 1.100 (trecho Maun-Kasane)
Hospedagem/noiteR$ 1.400 a R$ 2.500 (pensão completa nos lodges)
Alimentação/diaR$ 150 a R$ 300 (fora dos lodges, em Maun e Kasane)
Ingressos e transporte localR$ 300 a R$ 600 por dia (taxas de parque e atividades)
Total estimadoR$ 17.000 a R$ 29.000 por pessoa, 6 dias

Preços conferidos em 16 de setembro de 2026. Confira o valor atual em Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais de Botsuana (comunicado oficial, dailynews.gov.bw).

Perguntas frequentes

Brasileiro precisa de visto para viajar para Botsuana?+

Não. A entrada é livre de visto para turismo de até 90 dias, bastando passaporte válido por pelo menos seis meses. O acordo é recíproco entre Brasil e Botsuana.

Qual a melhor época para o safári no Delta do Okavango?+

De maio a outubro, na estação seca, quando os animais se concentram perto da água e a vegetação rala facilita a visibilidade. O pico de água no Delta acontece entre junho e agosto, bem no meio da seca.

Quanto custa uma viagem de 6 dias para Botsuana?+

Uma estimativa realista fica entre R$ 17.000 e R$ 29.000 por pessoa, incluindo passagem aérea internacional, voo doméstico, hospedagem em lodge com pensão completa, alimentação fora dos lodges e taxas de parque.

Dá para ver os Cinco Grandes em Botsuana?+

Elefante, búfalo, leão e leopardo aparecem com frequência no Delta, em Moremi, Khwai e Chobe. Rinoceronte é mais raro e concentrado em áreas de reintrodução como partes do Delta e o Khama Rhino Sanctuary, fora do roteiro deste artigo, então não é garantido nesses seis dias.

Voo panorâmico sobre o Delta do OkavangoPôr do sol no Rio ThamalakanePortão Sul do Moremi Game Reserve (Maqwee)Passeio de mokoro pelas vias d’água do DeltaGame drive por Chief’s Island e o Mopane TongueObservação de aves em Third BridgeGame drive rumo a Khwai: elefantes na fronteira com MoremiLeões do bando de Khwai à beira do rioKazungula: a poucos metros de onde quatro países se aproximamGame drive pelo Chobe Riverfront: a maior concentração de elefantes da ÁfricaCruzeiro ao pôr do sol pelo Rio ChobeKasane: comércio e vida à beira do rio

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